Vila Real: novo confinamento “é uma machadada no comércio tradicional”

Foi declarado, na passada sexta-feira, o novo confinamento geral e, com ele, vários estabelecimentos tiveram de encerrar portas e/ou adaptar-se a novos regimes que, para os comerciantes vila-realenses são “injustas”.

De entre as várias medidas decretadas que, para já, serão aplicadas até ao final deste mês de janeiro, pode destacar-se o recolhimento e o teletrabalho obrigatório, o encerramento dos espaços comerciais que não vendam bens de primeira necessidade e a passagem dos restaurantes, bares e cafés para o regime takeaway e/ou entrega ao domicílio.

No seguimento desta situação, o Notícias de Vila Real (NVR) entrou em contacto com dois estabelecimentos comerciais para entender como vão enfrentar este novo confinamento.

Quando questionada sobre o assunto, Fernanda Cardoso, da loja Andri, localizada na Rua António de Azevedo, confessou que concorda, em parte, com este confinamento “porque é necessário”, mas considera-o “muito injusto para os pequenos comerciantes”. “Este novo confinamento é desleal pois favorece as grandes superfícies que vendem tudo. Eles podem estar abertos e nós temos de fechar. Isso é desleal porque os contágios ocorrem nas grandes superfícies e não aqui”, declarou a comerciante, acrescentando que “será pior a emenda que o soneto”.

No que diz respeito aos apoios do estado, Fernanda Cardoso defende que “não chegam a nada em comparação com o prejuízo sofrido”. “Temos as coleções dentro de portas que comprarmos com quase um ano de antecedência, portanto, as medidas de apoio não são nada. Este confinamento é uma machadada no comércio tradicional e não era necessário. Tinha de haver mais fiscalização, se houvesse algumas lojas que transgredissem, eram responsabilizadas, mas que não venham por aqui porque não prejudicamos ninguém. Andamos sempre a desinfetar as coisas e maior parte das pessoas nem entra”, reforçou, sublinhando que, mesmo se optasse por vender os seus produtos online, não conseguiria “fazer frente às grandes superfícies”. “Nós somos pequeninos e não conseguimos, não temos praticamente hipótese e isso não nos ajuda em nada. As grandes superfícies mandam, elas é que têm o poder nas mãos, caso contrário não agiam desta forma. O pequeno comércio nem tem quem o defenda”, concluiu.

Restaurantes “aprenderam” com o primeiro confinamento

Para Helena Ribeiro, da Loja do Covilhete, as regras do novo confinamento também não são “corretas”, pois “quando confinam uns, também confinam os outros”. “Não sei se isto vai resultar nalguma coisa positiva para nós”, referiu.

Quanto ao funcionamento, a Loja do Covilhete, que já se tinha adaptado a um novo regime de takeaway e de entrega a domicílio no primeiro confinamento, vai continuar a aplicar esse método. “Já criamos um sistema para isso em abril, adaptamo-nos, criamos a nossa loja online e já temos clientes fieis, por isso, acho que apesar do confinamento, vai ser positivo e vai correr um bocadinho melhor do que no primeiro confinamento”, explicou.

Apesar desta adaptação, Helena teme que o número de pedidos diminua, pois há pessoas que, estando em casa, vão preferir cozinhar do que encomendar comida e deslocar-se ao restaurante. “Ainda assim, vamos apostar no mesmo sistema e vamos ver se vai resultar”, concluiu.

CR

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