Umbigo tacanho

Por: AF Caseiro Marques

Não há coisa pior do que passarmos a vida a olhar para o nosso umbigo. E há muitas pessoas que fazem isso continuamente no seu dia-a-dia, como se não existisse mundo, como se não existissem pessoas, como se não houvesse futuro, como …. se estivessem sozinhas e ao seu lado nada crescesse.

Sempre +procurei aprender com o que vejo ser feito bem pelos meus vizinhos. Por exemplo, gosto e aprendo com quem trabalha, com quem poupa, com quem investe. E tenho pena que não tenha aprendido ainda mais do que aquilo que vi, que senti e que vi.

Mas estou atento ao que vejo e sinto para continuar a aprender, mesmo que, por vezes, sinta que, se calhar, é tempo de parar ou, pelo menos, de abrandar, dado que a idade vai avançando e as capacidades já não são as mesmas. Conto com a minha experiência para ir prosseguindo, avançando, se possível sem erros ou que os que cometo sejam poucos e insignificantes.

Porém, olhando à minha volta, vejo gente nova que pouco lhes importa se não aprendem com os erros que outros cometeram no passado, se repete os mesmo erros e se compraz a gastar o que tem e o que não tem em obras de fachada, inúteis ou meramente sumptuárias.

E isso tanto acontece na vida privada, onde o orgulho, a vaidade e o prazer se manifestam claramente, para mostrar que a vida lhes corre bem, buscando o prazer imediato da sua pouca sagacidade e inteligência. Ou, o que é mais grave, se projectam em outras artes e práticas que os podem encher de jactância, de pavonada prosápia, por quererem mostrar muita obra, de modo a ficarem na história e poderem exibir a sua falsa valia e curta relevância, que redundará numa efémera passagem e triste resultado, à custa de prejuízos maiores do que benefícios seguros em prol dos vindouros.

A vida é feita de mudanças, como diz a revolucionária canção. Mas nem toda a mudança redunda em progresso e bem-estar para o conjunto de uma sociedade que se quer equilibrada e feliz e com os olhos postos no futuro.

Nunca fui contra projectos e obras que projectem uma comunidade para o futuro e tragam manifestos benefícios para todos os que a integram. Mas não sou a favor de obras de fachada, meramente exibicionistas, que se destinem a deixar marca, ou que se concretizem apenas porque há disponibilidade monetária para serem realizadas.

Sinceramente, há obras que vão ficando para trás que poderiam trazer muito mais benefícios a uma comunidade do que muitas dessas obras de fachada, que não passam de um lavar de cara, sem sabão, pois pouco ou nada acrescentam ou embelezam as nossas vidas.

E quantas vezes até nem é necessário gastar recursos financeiros, sempre escassos, para se melhorar a vida das pessoas que fazem parte de uma comunidade.

Muitas vezes basta a pressão sobre quem detém as rédeas do poder.

Fiquei triste com a falta de peso dos políticos, deputados e autarcas, (Já que ministros neste Governo nem um temos, pois todos são de Lisboa e familiares uns dos outros!) dos empresários da nossa região que não conseguiram grandes investimentos para a comunidade em que nos inserimos que pudessem introduzir valor e fizessem sair Trás-os-Montes do marasmo em que se encontra há dezenas de anos. Assim iremos continuar.

Não se consegue um aeroporto na região que trouxesse directamente turistas para o Douro, em vez de terem da passar pelo Porto.

Não conseguiram reabrir a linha do Douro até Espanha e em direcção à Europa. Não esqueçamos que esta linha já permitiu deslocações desde o Porto até Paris, sem ter de passar por Lisboa ou por qualquer outro trajecto.

Nem se viu exigir a construção de uma linha directa de Vila Real à Régua, que, dentro de poucos anos nos levasse a todas as partes de Portugal.

Em vez disso, andam a brincar aos arruamentos, às avenidas, às rotundas, mais largos passeios empedrados, que impermeabilizam o solo, que transformam as cidades em desertos; sem árvores; e em rios quando chove, porque alguém não gosta de ver sarjetas no chão; simplesmente porque, parece, não gostam do campo, do verde, do que é rústico, porque menor, tacanho, dizem eles.

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