Por: Manel Igreja

A sério. Acho que descobri. Fartei-me de dar voltas ao miolo, mas vislumbrei a solução para fazermos com que o dito interior a quem fazem tantas juras de amor, deixe de ser abandonado. Vão ver. Pode acabar-se o desamor.

Assim, como quero crer, a maioria de vossorias vive no interior, seja isso o quer for, pois tenho dúvidas de que vivendo a uma hora das ondas do mar, seja próprio dizer-se ou alguém achar que vivemos por detrás do sol posto, mas enfim, vamos fazer de conta.

O certo, porém, é que o poder central nos desleixa e nos trata como cidadãos de segunda categoria. Quer dizer, sendo um pouquinho mau, até digo que, assim considera toda a gente menos eles, mas é o sinal dos tempos e a falta de estadistas que pôs o mundo neste estar.

Com o devido respeito, relembro neste ponto, que estadista é o quem tem visão e segue um projecto para a comunidade, e que político, é quem diz e faz ao sabor da corrente da opinião pública, hoje tresmalhada nas malfadas redes sociais, coisa que podia ser muito boa, mas quase não presta, porque só serve cozinhados instantâneos. Não fervem nelas condimentos consolidados.

Os líderes, que por delegação governam as democracias, não sabem que a substância de uma nação reside, precisamente, na igualdade de importância para o todo, dada e sentida a cada um. Não sabem, pelo que só o número de votantes e sua respectiva conquista lhes interessa no remexer do imenso caldeirão que é qualquer país que deve ser bem feito, para que nele todos tenham lugar.

Remexendo e voltando acima que é para não perder a mão no que quero servir a vossas senhorias, ia eu a dizer que matutei e que descobri algo que, por certo, valerá o que vale. Ora, pois, bem, se o que motiva as medidas do poder é o imediatismo e a quantidade de cruzes nos boletins de voto, é fácil. Agora, atentem que nem sei como hei-de escrever.

Proponho eu: O voto de quem vive no interior, não valará por um. Valerá por exemplo por dez, ou, vá lá, por cinco. Pronto. Feito isto, é um ver se te avias de nos darem coisas para nosso contentamento. Nem nos largam. Ora peguem lá isto, ora façam o favor de se servir daquilo. Mas, já agora, não se esqueçam de quem é amigo e de quem se preocupa. Dirão eles.

Estou que nem posso. Mas nem se atrevam a sugerir um Nobel ou sequer atribuição de medalha ou comenda que não sou disso. Envergonho-me. No entanto, atrevo-me a outra sugestão, que isto das ideias, por vezes, nascem que nem alfobre em horta granjeada. Tenham elas rega que baste.

Sucede que andam a magicar dar grandes descontos nos passes sociais para transportes públicos, nos grandes centros urbanos. Pelas nossas bandas não temos grande necessidade disso, porque evoluímos e quase não temos transportes públicos. Temos autoestadas e carros luzidios e próprios para viajar nos recados e nas tarefas diárias entre as nossas cidades.

Ora, querem ser justos, ó senhores de lá longe? Isentem-nos de portagens entre Lamego, Régua e Vila Real. Daí para diante, pagaremos com língua de palmo, pois tem de ser, já que não somos fidalgos e a vida custa a todos, claro.

Olhem, e, agora, vou descansar a moleirinha que isto de ter ideias cansa. Despeço-me com amizade.

 

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