As mudanças raramente são do agrado de alguém. Verificam-se  sempre resistências, pois o conforto físico e mental exigem estabilidade, ausência de movimento, de alterações bruscas nas nossas vidas. As mudanças obrigam-nos a pensar, a ler, a estudar, a reflectir e a encontrar soluções. E depois há sempre aquele temorzinho de que algo não corra  bem e termos de nos sujeitar à crítica alheia, principalmente quando não somos capazes ou temos dificuldades em fazer autocrítica e aceitar que, humanos que somos e por isso fazemos, podemos errar e temos de assumir os erros. Não é nada fácil!

A Avenida Carvalho Araújo não sofre obras de vulto há muitos, muitos anos. Mas os tempos são outros, mudaram, as exigências da nossa vida são outras. E a nossa maneira de ver as coisas e de viver são muito diferentes daquilo que eram no passado.

Por isso, bem anda a Câmara ao propor alterações na configuração da Avenida, a nossa sala de visitas. Recordo que, quando tinha doze anos e vim pela primeira vez a Vila real, guardei apenas duas imagens dessa viagem, da cidade e da região. Os socalcos com milho e hortas do lugar do Sordo, no limite com a freguesia de Cumieira e a Avenida Carvalho Araújo. Mal pensava eu, estudante em Viseu, que viria, muitos anos mais tarde e depois de correr mundo, por felizes circunstâncias da vida, para a Vila Real, cidade onde vivo há mais de trinta anos, onde tenho a ninha família e os meus interesses.

E bem tem andado a Câmara em colocar as alterações propostas a uma discussão repetida, quase em jeito de provocação. Assim, todos os que quiserem podem-se questionar e colocar as suas eventuais objecções.

De um modo geral, concordo com as alterações propostas, pois o uso que hoje se dá ao passeio e jardim centrais é quase nulo. E é pena que esse espaço esteja desaproveitado pelos vila-realenses.

Tenho apenas duas considerações a fazer. Tal como ouvi dizer a outras pessoas, também me parece que o espaço ficará demasiado despido de árvores e a correspondente sombra que, nos mesos de estio, tão aprazíveis tornam qualquer espaço frequentado pelas pessoas. Porquê ser necessário usar guarda-sol quando podemos ter sombra proporcionada pelas árvores? Compreendo as razões para se despejarem as árvores que tapam parcialmente os monumentos, os edifícios ali existentes, mas ficará bem um maior equilíbrio entre um interesse e outro.

Vai-se a Barcelona e o que vemos são os famosos edifícios de Gaudí tapados por imensas árvores, que impedem inclusivamente que os turistas os possam fotografar como gostariam.

Depois, espero que, quanto a alguns dos pormenores que estão previstos, não contribuam para “amaricar” aquele belo espaço, de forma inútil, originando o que se passou noutros locais, como no Parque Corgo, na saída do IP 4 do Seixo, onde focos no chão e outros elementos decorativos, a título de exemplo, para nada servem, e principalmente no Pioledo, onde um bonito e ainda prestável edifício deu origem a um mamarracho inútil, abandonado, destruído, sem uso e sem préstimo que, ainda por cima, custou milhões aos nossos bolsos.

Sejamos austeros, práticos e façamos as coisas com ponderação, bom senso e poupando dinheiro que tanta falta faz, para realizarem outras obras bem necessárias. Aliás, muito se comenta sobre algumas obras que têm vindo a ser realizadas, em detrimento de outras talvez mais urgentes.

Deixe o seu Comentário

Comentário