Uma ideia feliz

Por: Anabela Quelhas

Esta fase de isolamento e distanciamento forçado, converteu-se em saudade na ausência da família, dos amigos, dos conhecidos, em que algum momento, se cruzaram connosco. Ninguém repara nisto, numa ausência, de dois ou três dias, mas quando passam dias e semanas, falta algo para confortar o nosso coração. Isolados pensamos em nós e nos outros e bate a saudade das nossas raízes.

A oportunidade de criar um grupo fechado foi a ideia que me surgiu para aproximar as pessoas que pertencem a uma comunidade e estão espalhados pela Europa, Brasil e Estados Unidos, todos mais ou menos confinados em casa, com esta preocupação do contágio a pairar sobre a nossa cabeça. Muitos de nós, somos emigrantes, população flutuante do mundo, que agora graças às novas tecnologias de comunicação, estamos longe, mas podemos estar perto. Há que atender a esta oportunidade. Foi uma ideia feliz.

A 28 de abril de 2020, nasceu o grupo “Justes – identidade”, unindo através de uma rede social, a pequena comunidade que contava na última semana com cerca de 410 membros.

E o que se passa neste grupo, fechado? Todos os membros mais ou menos se conhecem, todos apresentam no seu perfil, uma fotografia actual, todos conhecem e respeitam as regras do grupo e todos abrem os baús da memória para partilhar fotografias, eventos, estórias, momentos. Um comentário leva a outro e as palavras são como as cerejas, vão umas atrás das outras.

Os primeiros dias foram a verdadeira loucura, porque os pedidos para integrar o grupo, não paravam de chegar ao meu computador, e apesar desta ligação ser on line, era perceptivel, a alegria e o entusiasmo de todos em querer encurtar distâncias.

Alguns vivem em Justes, outros regressam regularmente, mas alguns estiveram apenas de visita, ou quando eram pequenos, gerando emoções distintas e genuínas.

Encontraram-se amigos recentes e de longa data, descobriram-se parentescos, curiosidades sobre este nosso território, distribuído por 46 tópicos, 172 publicações, 8.500 comentários e reacções. Saliente-se que a maioria dos membros não é nativa digital, mas sabem utilizar esta tecnologia e alguns membros já ultrapassaram os 70 anos. Admirável!

Tem sido também um espaço de aprendizagem e de crescimento colectivo, porque há uma grande quantidade e diversidade de informação partilhada, que justificam e enriquecem a nossa identidade, tornando possível a reunião de registos, completando a história de todos.   

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