O projeto da Filandorra—Teatro do Nordeste “Há… teatro de ROBERTOS por toda a Freguesia”, em homenagem à escritora vila-realense Luísa Dacosta, e um dos vencedores do Orçamento Participativo 2017 promovido e implementado pela Junta de Freguesia de Vila Real, vai arrancar no dia 09 de Maio dinamizando Escolas, Bairros e Centro Histórico da cidade, e recordar a tradição popular dos espetáculos de rua preservando assim a memória e a tradição junto das comunidades das zonas habitacionais da Freguesia de Vila Real.

Com este projeto teatral, “miúdos e graúdos” vão ter a oportunidade de reviver as festas de outros tempos em que os Robertos e as suas barraquinhas eram a atracão muito ansiada nas festas e romarias da “bila”, e que Luísa Dacosta “rememorou” na obra Robertices, obra que integra o Plano Nacional de Leitura. Os bonecos farão soltar a imaginação dos mais pequenos e saber como se divertiam as crianças de outros tempos… e aos mais crescidos recordar os “velhos” tempos, proporcionando um verdadeiro encontro intergeracional, de partilha de saberes e experiências.

A festa dos Robertos que empolgava Luísa Dacosta nos seus tempos de criança é recreada pela Filandorra numa performance lúdica e estética em que atores/animadores/manipuladores e público compõem a palavra Robertices a partir das dez letras do abecedário, também elas “robertos” de madeira nas mãos do público que assiste sentado no chão em grandes lonas de pano-cru, organizando uma plateia “à moda antiga”.

“O freguês caloteiro” que a autora fixou em texto dramático na obra Robertices é a primeira história popular a apresentar, e conta a história de um freguês que vai ao barbeiro, corta o cabelo e faz a barba mas não quer pagar… grande confusão e eis que entram a ação as “pauladas” características do teatro robertos que “sonavam” de forma hilariante na cabeça de pau do freguês e faziam rir a “bandeiras despregadas”. O segundo texto a apresentar é a tradicional história da Carochinha… que na versão de Luísa Dacosta ganha um cunho transmontano com a introdução de animais característicos da região como o burro, o porco, o cão, o gato, entre outros.

O projeto arranca no bairro histórico dos Ferreiros com a apresentação de Robertices pelas 10h00, para toda a comunidade escolar (alunos, encarregados de educação, educadores e professores) numa sessão aberta a toda a comunidade, permitindo assim reforçar a partilha de saberes e experiências entre comunidade educativa e os habitantes do bairro. O projeto vai ainda percorrer outras zonas habitacionais da Freguesia, a saber: Bairro de São Vicente de Paula, Bairro da Araucária, Largo do Pelourinho, Timpeira, Flores e Bairro de Almodena, privilegiando os espaços públicos ao ar livre, “debaixo” das frondosas árvores da freguesia, ponto de encontro dos habitantes da freguesia sobretudo dos mais “antigos”.

A sessão de encerramento do projeto decorre no dia 12 de Maio a partir das 10h30, em pleno centro histórico – Largo do Pelourinho, numa sessão que pretende ser de “encontro” e festa das famílias (avós, filhos e netos) e turistas que nos visitam.

Com este projeto, a Filandorra homenageia a escritora vila-realense Luísa Dacosta, que nas primeiras páginas de “Robertices” recorda esta tradição popular dos espetáculos de rua: “No tempo em que havia tempo para ter tempo e um dia sem escola podia ser uma eternidade, a festa eram os robertos. Debruçados do varandim de estopa da barraquinha faziam momices com as suas cabeças de pau, sem rosto, vestidos com balandrauzinhos de chitas, que escondiam as mãos dos bonecreiros, que os agitavam, os desfaziam em vénias ou lhes socavam o pau das cabeças rijas! Tão depressa eram toureiros, barbeiros desesperados com fregueses de bolsos vazios, como princesas magalonas, cavaleiros, o próprio demo, o que fosse”.