Saber perder, dignifica

Por: Anabela Quelhas

Nas imagens que correram o mundo com Donald Trump a fazer a conferência de imprensa, é visível a sua postural corporal, encurvado e braços pendurados (you know there, stupid people D.T.), não engana, significa derrota, porém a sua derrota assume acusações verbais tão graves que alguns canais de televisão americana, foram obrigados a cortar a emissão – algo inimaginável.

Aqui está um péssimo exemplo para a humanidade, oferecido por Trump.

Ninguém gosta de perder, podemos ficar de indispostas, aborrecidos para o resto da vida, traumatizados, mas virar tudo ao contrário acusando os outros, revela má formação, e neste caso, põe em causa as instituições que organizam o processo eleitoral, sob a sua responsabilidade.

Este caso não merece da minha parte, mais nenhuma referência, mas pretendo reflectir sobre “saber perder dignifica”.

Quem luta, quem vai a jogo, quem tem coragem em se expor, arrisca a ganhar ou a perder. Mais importante do que essa coragem, é saber aceitar uma derrota, transformando-a em aprendizagem. Quem aceita derrotas, quem reflecte sobre elas, analisando o que falhou, está a preparar-se para uma próxima vitória.

O sentimento de frustração que acompanha a derrota, o reconhecimento que, as nossas expectativas falharam, o tempo gasto num certo enquadramento, desapareceu, não são fáceis de digerir, e especialmente se foi utilizado esforço, empenho, resiliência, porém, são esses os eixos do desenvolvimento da aprendizagem que é necessária concretizar. A auto-avaliação, realista e pacífica, dão-nos a perspectiva do caminho a seguir no futuro. Sei que há caminhos já feitos, a fazer, regulares e labirí

nticos, mas são caminhos, abrem informação e permitem planeamento e acção.

A derrota é a melhor lição que poderemos ter sobre nós e sobre o que queremos. Reagir agressivamente, sem lógica e teimosamente atirando as culpas para os outros e o desejo de vingança, não dignifica ninguém. É assim na política, no futebol, na vida profissional, na educação dos filhos, na relação com a família e amigos.

Aceitar uma derrota, faz parte do nosso processo de crescimento interior. Foi assim desde que nascemos. O processo é genético. Quando um bebé cai, chora e tenta levantar-se para continuar a sua aprendizagem da marcha.

A nossa mente bloqueia com mentiras, desculpas, medos não permitindo sair do patamar da derrota e engordando a vitimização, que não chega nunca a algo vitorioso e digno.

A derrota é um sinal de fraqueza, mas aceitar a fraqueza é um sinal de inteligência, racionalidade, que levará a futuras vitórias e a um novo grau de civilidade.

Há um provérbio japonês que diz:

 “Pouco se aprende com a vitória, mas muito com a derrota.”á Há um proveHá

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