Roma Bella Donna

Opinião

Por Anabela Quelhas

Roma é um museu urbano, que atravessa a história e em constante evolução. Quem não conhece e se interessa por cidades, é imperdível. Pode ver-se Roma num dia, como fazem muitos turistas: saem do autocarro em frente à Basílica de S. Pedro, entram na basílica, com alguma sorte irão ver a Pietá, se a descobrirem, e a Capela Sistina no percurso mais rápido do Museu do Vaticano, dão uma volta pela praça de S. Pedro, tiram fotografias, se os japoneses deixarem, e regressam ao autocarro para umas voltas pela cidade vendo alguns monumentos em andamento. Através do vidro meio sujo veem o Coliseu, o Fórum Romano, o monumento tipo bolo de noiva dedicado a Vittorio Emanuele II e depois se tiverem sorte ainda vão a pé à Fonte Trevi e à Praça de Espanha. Regressam felizes porque já viram Roma. Bem bom!

Estiveram lá, mas não conhecem Roma.

Para conhecer um bocadinho de Roma é preciso ter boas pernas para caminhar, saber orientar-se facilmente pelo mapa e pelo sol, estar a fazer constantemente um up load de todas as nossas leituras, conhecimentos prévios sobre esta cidade e todos aqueles que a descreveram ou viveram aí os seus dramas e as lutas pelo poder, gostar de pasta e pizza e sobretudo saber contrariar o cansaço com um desejo imenso de conhecer mais, trauteando alegremente o Sole Mio para esquecer os pés martirizados por tanto quilómetro a pé – caminhar por Roma deve equivaler a algumas indulgências para se entrar no céu.  J

Ali cruzam-se os nossos conhecimentos académicos sobre Roma Antiga, o Cristianismo, o Renascimento, o Barroco, o cinema histórico Spartacus, o neorrealismo italiano de Frederico Fellini, os melodramas de Luchino Visconti, toda a literatura contemporânea que endeusa esta cidade, nomeadamente “Anjos e Demónios” de Dan Brown, “A família” de Mario Puzzo e várias obras de Juliette Benzoni. Asterix e Obelix, esses, marcam a nota de humor sobre os romanos de há 2000 anos, que é imprescindível e obviamente os 10 volumes “De Architectura” de  Marcos Vitrúvio Polião, interseptam-se com o “Sabre ver a arquitectura” de Bruno Zevi.

Descobrimos que Pavarotti, Gianni Morandi, Laura Pausini, Eros Ramazzotti, Gigliola Cinquetti, Sordi, Mastroianni, tem tudo a ver com as mamas da Sophia Loren, da Claudia Cardinalle e da Cicciolina (apesar de húngara) e com as Lambrettas, Ferraris e Lamborghinis e as conhecidas Biclas, Fougaças, Mozzarellas, Bruschettas… e só o rio Tibre que percorre a cidade, saberá tudo acerca de Roma, pois só ele conhece todos os segredos desta cidade — um autentico Google romano cronológico.

Só o facto de aterrarmos num aeroporto que se chama Leonardo Da Vinci é um orgulho e faz-nos pensar!

Para além dos sítios que constam de todos os roteiros, vou registar mais alguns para quem quiser investigar e visitar:

– Escada dupla e em espiral do museu do Vaticano que muitos atribuem a Leonardo da vinci, mas que afinal é do arquitecto Giuseppe Momo.

– O interior do Castelo de St. Ângelo.

– A rivalidade entre Bernini e Borromini que se afigura na Piazza Navona.

– O Panteão, a sua cúpula perfeita que serviu de modelo a algumas igrejas.

– O interior e a escala do plano do tecto de Sta Maria Magiore.

– O modelo de Moisés utilizado em diversas esculturas.

– A praça concebida por Miguel Ângelo – Piazza del Campidoglio

– As dimensões de um capitel do interior do Coliseu.

– O flanco de um touro esculpido em metal 3 mil anos aC  e a loba original localizados nos Museus Capitolinos;

– O lago do Templo de Esculápio, tão belo e tão grego, na Villa Borghese;

– O templo de Hércules.

– Termas de Dioclessiano e o truque da luz da Basílica de Majêncio,

– A casa museu de Geogio de Chirico

– O interior do Oratório del Santissimo Sacramento. Sto Marcello al Corso e Sta Maria dellla Vitoria e todas aquelas igrejas que tiverem porta aberta. Não hesitem, entrem.

– Galleria Alberto Sordi – porque sim, delicada e sofisticada.

– Isola tiberina.

– Saborear um gelatto de oreo, mascarpone e biscoito na Piazza della Republica.

– O por do sol visto do Circo Máximo.

 

Uma página não chega para escrever sobre Roma. Talvez volte se tiverem paciência de me ler. Roma é uma cidade para revisitar muitas vezes – una bella donna questa cittá.

 

 

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