A campanha da Azeitona 2018 já está a decorrer e as expectativas são as melhores.

No ano passado, o país e também a região do Douro registaram o melhor ano de sempre na produção de azeite. Para Agrifiba,  2017 foi mesmo um ano d´ouro,  até porque no arranque do projeto arrecada, desde logo, uma medalha  de ouro no Concurso Nacional dos Azeites de Portugal, com azeites próprios da marca Casa Afonso Borges, e um cliente conquistou a mesma categoria em Nova York, com azeite transformado naquele lagar.

Nos últimos dias, a apanha da azeitona tem sido travada pela chuva, mas Ivo Borges acredita que a campanha da Azeitona 2018 “deverá estar ao nível do ano passado”, admitindo no entanto, que “algumas variedades de azeitona, não têm tanta quantidade”, mas isso não será suficiente para registo de quebra.

O Lagar da Agrifiba, instalado no Regia Douro Park,  está a funcionar em pleno, com capacidade para transformação diária de 76 toneladas. De acordo com Ivo Borges “este ano a equipa está mais bem preparada para rentabilizar a tecnologia implementada” e, por isso, contam ter muitos dias com a produção máxima –  “assim as condições meteorológicas permitam a apanha” – sublinhou.

Este Lagar recente apresenta-se aos olivicultores como o mais bem preparado no concelho de Vila Real, e mesmo na região, para garantir a produção de azeites de muita qualidade. Nas palavras de Ivo Borges – “se compararmos ao que existia, basta fazer uma visita ao nosso espaço e desde logo dá para perceber que deve ser o escolhido”-  até porque – “oferecemos condições que mais nenhum oferece, somos um lagar moderno, novo, temos maquinaria de última geração e respeitamos todas as normas de higiene e segurança exigidas por lei”.

O responsável da Agrifiba, admite no entanto que “na nossa região, as pessoas estavam habituadas a estar no lagar ao lado da azeitona e acompanhar todo o processo, até ao molha do pão no azeite novo”. Ivo Borges não se mostra disposto a continuar essa tradição – “nós não deixamos que isso aconteça. Algumas pessoas reagem mal, mas por respeito ao produto e às normas de higiene e segurança, apenas o staff pode estar no interior”, assim, acredita, “o cliente final terá outra confiança”.

Ivo Borges considera que este é um setor muito importante para a região –  “se, há algum tempo atrás, as oliveiras existiam apenas para delimitar terrenos, hoje já se olha para a azeitona com outros olhos. As quintas já perceberam que o azeite é um produto rentável”. E acrescenta que“ hoje vemos garrafas de azeites da região, de meio litro,  a serem vendidas a 16 e 20 euros”.

Cada vez mais pessoas apostam na produção de azeite, e isso é visível também pelo aumento da plantação de oliveira. Também por esse facto, a Agrifiba conta com mais produção porque há olival novo carregado de azeitona.

A rentabilidade do azeite depende, segundo Ivo Borges, da forma como se trata a azeitona, desde a origem até ao produto final – “o azeite tem de ser valorizado e para isso temos de o tratar bem. Se a azeitona chegar ao lagar em más condições, é impossível fazer um bom azeite, Caso contrário, nós temos todas as condições para conseguir um azeite de excelência”.

Na  região de Trás – os – Montes e alto Douro, a apanha da azeitona continua a ser um processo muito difícil e caro, porque não se consegue mecanizar.  Já  existem alguns apanhadores elétricos,  que resultam em mais azeitona por dia com o mesmo número de pessoas, mas não é o suficiente. Afonso Borges considera que  “é chegada a altura do Governo olhar para a região e ajudar este sector, classificando-o,  de uma vez por todas,  como  DOP – Denominação de Origem Protegida, o que irá dar-lhe valor acrescentado”.  Outra iniciativa que defende é a “atribuição de subsídios  aos olivicultores que trabalham bem o olival e conseguem transformar num bom azeite pela qualidade”.

A Agrifiba, a única que faz produção de azeites a frio na região, já tem 500 produtores inscritos, mas acredita que vai dobrar este número, até porque houve investimento, que totaliza já 1,2 milhões, e dispõe de mais capacidade para guardar azeite. Além disso conquistou novos canais de colocação do produto. Neste momento, a grande aposta é na internacionalização, com um mercado considerável em Angola, Canadá, Espanha e França.

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