Quem paga?

Caseiro Marques

1 – É preciso ter muita lata. Ou, então, devem pensar que podem gozar com o resto do Zé Povinho. Refiro-me às exigências que a esquerda continua a fazer no sentido de o Governo manter a proposta e a cumpra, de aumentar os funcionários públicos. Não é que eles não mereçam. Não é isso que está em causa.

Não exigem, nem sequer sugerem, pelo contrário, que o Governo regresse às quarenta horas semanais, na função pública, como acontece com todos os outros que trabalham. Quarenta horas e muito mais. Vão lá perguntar aos que, em Vila Real, por exemplo, ingressaram nos hospitais privados ou que já trabalhavam noutras empresas. Quantas horas dão aos patrões por dia? E cara alegre.

Agora os funcionários públicos a quem não se aplica o lay-off, que não podem ser despedidos, que têm durante o ano mais folgas do que os privados, que vêm para a rua, em alguns casos, durante as horas de serviço para tomar café, lanchar e tratar de assuntos da sua vida privada, que já são melhor pagos do que os privados, iam agora, em plena crise, quando não há dinheiro para as coisas mais básicas, receber aumentos de salários!

Se propusessem um aumento de salário para os profissionais da saúde, que são os sacrificados do momento, e não têm descanso perante os problemas que estamos a viver, em quase todas as regiões do país, eu ficaria calado. Mas não se percebe o que passa pela cabeça das raparigas do Bloco e dos dirigentes do PCP e anexos para virem, nesta altura reclamar uma coisa destas. Só de quem não sabe minimamente o que anda a fazer e desconhece o que seja governar uma casa quanto mais um país.

E o que em irrita mais é que a grande maioria da esquerda, e refiro-me principalmente aos dirigentes e apoiantes do Bloco, é gente que nasceu de cu para o ar, como se diz na minha terra. São filhos de papás. Meninos e meninas que nada lhes faltou. Que tiveram dinheiro, muitos deles para irem para o estrangeiro fazer doutoramentos. E os que cá ficaram, por não terem condições para isso, porque nem sequer muitos deles tiveram condições para obterem uma licenciatura, é que, agora, lhe pagam os ordenados. E se sujeitam a tudo e mais alguma coisa para sobrevierem, com baixos salários, com enormes descontos e sem regalais nenhumas. Tenham vergonha!

2 – Fiquem em casa, por favor. Chega a ser ridícula a competição que observamos todos os dias, entre Costa e Marcelo, para marcarem o terreno, aproveitando-se desta calamidade que é a doença do Corona Vírus. Marcelo, mesmo estando de quarentena, porque quis ir “charetar” lá para Felgueiras e apanhou um susto, até caiu no ridículo de por cá fora, via Skype, um vídeo mal feito, porque estava ser ultrapassado pelo Costa.

Ainda agora, parece que andam em competição contínua. Todos os dias fazem reuniões e vão aqui e além, sem pejo nenhum, não respeitando aquilo que nos exigem a nós, que é estarmos em casa, quietinhos.

E eles pensam que a maioria das pessoas não percebe isto. Julgam que nós não vemos que é a sede de protagonismo que faz com que eles não estejam quietos. Marcelo anda cheio de medo de não ser reeleito à primeira volta nas eleições do próximo Janeiro. Ou de não ser eleito com o maior número de votos de sempre. E as coisas ao que se vê e lê já estiveram melhor para o lado dele. E Costa que tem de capitalizar, porque os tempos que aí vêm não vão ser fáceis. O Governo vai ter de tomar medidas drásticas, tal como teve de fazer o Passos Coelho. O Partido Socialista vai ficar a saber o que é governar em tempo de vacas muito magras.

Só espero que Rui Rio tenha calma, que não vá com sede ao pote para provocar eleições antecipadas. E que esteja atento às manobras de Costa. É que este se vir o caso mal parado, vai querer esquivar-se. Ele, Costa vai querer ir mais longe qualquer dia- e só lá chega se sair pela porta grande. O que não irá ser fácil. Além disso Costa tem muita manha, como todos já vimos durante estes últimos anos. E Rio parece-me mais inocente. Que deixe lá estar a governar o PS durante bastante tempo para o povo perceber, finalmente, que a esquerda só sabe governar quando há dinheiro. O PS e Costa vão ter a oportunidade de demonstrar que esta frase, dita salvo erro por Margarete Thatcher, e que ficou famosa e tem vindo a ser confirmada pelos factos, não corresponde à verdade.

3 – George Pell. Uma infâmia. Este Cardeal que esteve à frente da diocese de Sidney, na Austrália e ocupou cargo importante no Vaticano, por sua livre vontade foi para a Austrália e sujeitou-se ao julgamento sabendo de antemão que poderia ser condenado, como foi, por alegado abuso de menores, depois de um longo processo, em que ele reclamou sempre a sua inocência. Os jornais de todo o mundo e entre nós também, de um modo especial O Público, deram permanentemente notícias sobre o assunto. O Cardeal foi agora absolvido pelo Supremo Tribunal da Austrália, por unanimidade dos sete Juízes que o compõem, com críticas severas aos dois tribunais de 1ª e de 2ª Instância que o condenaram e confirmaram a sentença. O Público limitou-se a uma pequena nota de três linhas e sem dizer porque é que foi absolvido. E foi escrito que um dos acusadores morreu entretanto, mas não escreveram que foi por ser toxicodependente. É o rigor da informação do Público. Público, nunca mais, M. Carvalho!

4 – QUERO IR À MISSA. Pois! Se os políticos ou parte deles querem comemorar o golpe do 25 de Abril, na Assembleia, pergunta o povo e muito bem, por que motivo os cristãos não hão-de poder celebrar e participar na Missa, desde que tenham os mesmos cuidados que os políticos dizem que irão ter: ficarem distribuídos pelos templos. A presença do vírus que levou à suspensão de direitos constitucionais foi um aproveitamento oportunista pata testar a acomodação dos cidadãos a um regime semiditatorial. Isto ao contrário do que diz Ferro Rodrigues, Presidente da Assembleia. Já sabemos que, daqui para frente, por dá cá aquela palha, vamos ter o Professor Marcelo a suspender a Constituição. Vai dar muito jeito aos políticos.

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