Que mal fez este povo!

Por: AF Caseiro Marques

Temos uns líderes políticos muito engraçados. Bom! Às vezes fazem-se engraçadinhos e a coisa corre mal. Mas como não são capazes de encaixar uma crítica ou reconhecer o erro, persistem em atirar para cima dos outros a responsabilidade pelas próprias asneiras ou declarações infelizes.

Tivemos na passada semana duas situações relacionadas com o torneio de futebol que terá lugar em Portugal no próximo mês de Julho. A primeira está relacionada com a miserável e esdrúxula cerimónia realizada em Belém, nos domínios daquele que mais parece um Vice-primeiro ministro do que um Presidente da República. Foram convocados o Presidente da Federação de Futebol, o Presidente da Câmara de Lisboa e o Primeiro-Ministro, para anunciarem, com toda a pompa, a realização do referido torneio de futebol em Portugal.

Em primeiro lugar, se estes quatro senhores, mas a começar no Primeiro-ministro e no Presidente da República tivessem muito que fazer, não gastavam tempo com este tipo de propaganda. Portugal vive uma tragédia sem igual, como talvez nunca tenha vivido e sem saber muito bem como vai sair desta enrascada. É que não são apenas os problemas relacionados com o Corona Vírus. A este, acresce o magno problema da dívida pública que não pára de aumentar todos os dias. E ninguém se preocupa em saber e dizer como a vamos pagar. Todos empurram com a barriga. Quem vier que feche a porta. É o que retiramos desta permanente festa em que o país vive, um regabofe desmedido, em que os chefes da banda são os políticos e ainda por cima os mais altos responsáveis, por conduzirem os destinos desta nação que caiu numa armadilha da qual tarde ou nunca se conseguirá libertar.

A outra teve a ver com as declarações de António Costa quando disse que a vinda dessa competição futebolística era uma vitória dos profissionais da saúde, pelos resultados obtidos no combate à pandemia, dedicando-lhes essa vitória. Simplesmente ridículo!

Estas atitudes não passam de demagogia e populismo barato. Tomam os portugueses por parvos, que pensam poder enganar com circos como este representado pelo futebol neste momento.

Quando são tantos os problemas que têm para resolver, entretêm o povo com estas teatradas ridículas, sem sentido nenhum, como se fossem meia dúzia de jogos de futebol que nos viessem resolver um dos muitos problemas que enfrentamos. Pelo contrário, aos problemas que já temos poderão vir a somar-se outros. Depois, Costa disse ser “má-fé transformar agradecimento à saúde em insulto”. E Marcelo declarou que não tinha compreendido a reacção de quem não gostou da cerimónia, declarando: “francamente, não percebo”. Deixe lá, senhor Vice-primeiro Ministro, nós percebemos muito bem.

De um momento para o outro, disseram ambos para as pessoas irem para a rua. Deixaram realizar a fantochada na Alameda e as manifestações dos grupos de extrema-esquerda. Agora queixam-se que a malta nova vai para a rua beber uns copos. De que estavam à espera, depois do que disserem e autorizaram? Entretanto as celebrações religiosas continuam a ser rigorosamente vigiadas e condicionadas, ao exagero. E continuam a multar os pobres que viajam nos transportes públicos sem máscara. Mas autoriza a esquerda a fazer manifestações.

Costa e Marcelo andam a brincar com o fogo. Têm tido sorte. Mas de um momento para o outro tudo poderá acontecer. Somos um povo pacífico, mas tudo tem limites. Há sinais de revolta porque muitos portugueses estão fartos desta política de fachada em que se transformou Portugal. O que observamos todos os dias mais parece um arremedo de uma opereta bufa ou uma comédia. São sempre os pequenos, os mais pobres e a classe média – se é que ainda existe classe média – a aguentar as asneiras, a ausência de reformas, uma administração pública que funciona mal. Que, no geral, não responde às solicitações dos cidadãos, negando-lhes respostas rápidas e competentes. Tudo por culpa de quem manda, que tem medo de se meter com certas classes de funcionários.

Entretanto, tudo serve para montarem o palco. Diariamente, tanto Costa como Marcelo, aparecem em tudo quanto é sítio. E se nada está previsto com alguma importância, porque, tirante as desgraças anunciadas e as que se fazem anunciar, nada de importante fez este Governo e o anterior até agora, inventam-se palcos. Então, Marcelo, como todos sabemos, é perito nisso. Faz-me lembrar os seus textos, quando era director do Expresso. Se não havia assunto para comentar, inventava. Continua o mesmo. Mas não pergunta a Costa pelos planos contra os incêndios, prometidos desde a desgraça de 2017.

Disse que ia estar atento aos impactos da redução do tempo de trabalho dos funcionários públicos para 35 horas. Há um buraco enorme no orçamento do Estado por causa dessa reversão, mas Marcelo esqueceu-se de perguntar a Costa sobre os tais impactos.

1 – RACISMO. Não há muitos anos, parei em Fátima para assistir à Missa na Capelinha das aparições. Por falta de lugares para me sentar, fiquei na parte de fora, junto à faixa por onde passam os peregrinos que cumprem as suas promessas, rezando e caminhando de joelhos no chão. A certa altura apercebi-me que umas mulheres falavam alto atrás de mim, bem junto à multidão que se aglomerara para assistir à cerimónia. Como a conversa em alta voz nunca mais acabava, a dado momento, virei-me para trás e, com toda a educação, disse às senhoras que, se queriam conversar, se afastassem um pouco. Não queiram saber a reacção de uma delas. Quase me batia, por eu a ter chamado a atenção. As senhoras eram de raça negra. E eu branco. E quem passou por racista fui eu.

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