Política à portuguesa

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1 – PSD. O Partido social democrata esteve em congresso. Não percebi muito bem porquê, mas sei que houve um congresso em Lisboa, onde o actual presidente do PSD definiu as linhas daquilo que defende para o PSD e para o país. Linhas gerais. Medidas concretas, nada ou quase.

Mas é bom que algo seja feito para meter o país na ordem, já que em relação ao PSD isso me parece mais difícil.

Este partido, no qual militei durante quase trinta anos, e em cuja prática a nível nacional me revi e revejo, tem uma linha programática muito peculiar. O PSD é um partido pragmático como todos os partidos do centro do espectro político. Mesmo o Partido Socialista encontra-se muito próximo dessa linha política central.

Mas o PSD sempre foi um partido mais aberto às reformas. Não tem nada a perder, não perde votos como pode perder o PS se avançar com medidas impopulares. O PS onde a esquerda, ainda bem marcada pela ideologia pontifica, tem mais dificuldades em propor ao país as reformas de que Portugal necessita com urgência. O exemplo deste Governo da Geringonça demonstra bem esta realidade.

Com o PSD a chegar-se á esquerda quem vai ganhar votos é o CDS, cuja Presidente, Assunção, anda de crista levantada por todo o país em campanha pura.

Costa está na maior. Pois, contrariando a linha que durante anos e anos o PS seguiu, pode exigir mais reformas às esquerdas (PCP e BE) ameaçando pô-los fora da geringonça. E estes, como já se habituaram ao quentinho do poder, vão baixar a garimpa e aceitar as políticas do PS, embora continuem a berrar contra as medidas do Governo que apoiam, como aliás têm feito até aqui. Mas é tão bom estar no poder…!

2  – As argoladas de Rui Rio. Quem terá passado a rasteira a Rui Rio de lhe meter como Vice-presidente uma tal Marlene Fraga, que tem tanto de lábia como de falta de vergonha, depois daquilo que fez na Ordem dos Advogados, onde utilizou de forma descarada o Boletim para se dar a conhecer, enchendo dezenas de páginas com a sua foto, durante o seu desastroso mandato? E o estado miserável em que deixou as contas da Ordem e da Caixa de Previdência, com dívidas de milhões relativas a quotas não pagas, sem se preocupar em exigir aos faltosos que paguem aquilo que é devido. E, ao que consta por aí, as benesses que proporcionou aos seus amigos? Lata tem ela, já vimos. De resto, quem lhe conhece méritos de realce na profissão? Consta que tenha trabalhado em algum processo relevante? A sua fama alguma vez saíra além da parvalheira?

Depois veio o caso Montenegro que arrasou Rio ainda antes de este começar a fazer alguma coisa no PSD. Discurso duro a preparara a sucessão. E mais ainda o caso da eleição de Negrão, em que mais de metade da bancada do PSD não votou no actual líder parlamentar. Isto vai dar muito que falar. Ou muito em engano ou Rio, que muitos julgavam o maior para substituir Passos Coelho, mas que eu já apelidei de oportunista, porque andou desde há anos a ameaçar avançar para alguns cargos, mas preferiu esperar pela saída d e Passos para se candidatar, não vai ter avida fácil e não se vai fazer velho no PSD. Muitos militantes a inda se lembram do que fez quando foi Secretário-geral do PSD tendo escorraçado muitos deles. Pode estar cheio de razão, mas em política e ainda apor cima na vida dos partidos ou se tem cuidado ou na primeira curva salta fora da carroça. Para mim, Rio já era. E se Marlene Fraga for candidata a deputada pelo PSD cá na região, mais ainda. Nós, advogados, não esquecemos.

3 – A esquerda e quejandos ficam traumatizados quando se apercebem que algumas das bandeiras que consideram suas são assumidas por alguém de direita. Foi o caso do rapaz do CDS, o rapaz Adolfo, que veio dizer que era gay. Mas esta gente da esquerda aliada a certos movimentos feministas e até islamitas, começam a querer ditar leis em aspectos que até agora aceitaram. Refiro-me a questões relacionadas com pinturas e estátuas de figuras humanas nuas e que pelos vistos estão a ofender essas pessoas, dizem eles. Onde é que isto irá parar. Não tarda, teremos a censura à porta e a coartarem direitos e liberdades fundamentais. Vão ver… Já faltou mais para que as mulheres tenham de andar de burca. E diga-se de passagem que a algumas meninas de esquerda, talvez por parecerem mal amadas, tal a sua aparente ferocidade quando abrem a boca, até lhes ficaria bem, com a vantagem de não nos depararmos constantemente com os traços físicos do seu mau humor estampado nos rostos deslavados.