A Junta de Freguesia do Pinhão e a Câmara Municipal de Peso da Régua estão contra as decisões tomadas, recentemente, pela Infraestruturas de Portugal (IP), relativamente à redução do número de comboios no vale do Douro.

A Junta de Freguesia do Pinhão pronunciou-se sobre o assunto, afirmando, em nota de imprensa, que esta situação é “incompreensível, num momento em que se fala da aposta no interior e que foi anunciada a intenção de prolongar o investimento na linha”.

Com as obras que irão possibilitar a eletrificação dos túneis da Linha do Douro, entre Marco de Canaveses e Caíde, que terão início a partir de 26 de novembro, ocorrerá o isolamento do troço entre Marco de Canaveses e Pocinho, sendo que esta alteração reduzirá o número de comboios para menos de metade. Uma solução que a junta de freguesia considera inaceitável, devido à duração da intervenção e ao prejuízo que esta provoca à população.

Esta situação deixou a presidente da junta de Freguesia do Pinhão, Sandra Moutinho, preocupada, pois não compreende como é que um troço pode ficar isolado do resto da rede: “a verdade é que parece que vamos assistir a uma redução do número de comboios, em caso de emergência, vai ficar um comboio de socorro deste lado da linha?”, perguntou.

Como resposta a esta situação, a junta de freguesia exigiu à IP que mantivesse os horários e que esclarecesse “os horários com que pretende explorar a Linha do Douro até ao Pocinho, assim que este período de obras se conclua, deixando garantias inequívocas de que não só vai manter a oferta atual”.

Câmara de Peso da Régua em desacordo com a IP

A Câmara de Peso da Régua também tomou posição sobre este problema, afirmando que a 2 de novembro de 2017, os Presidentes de Câmara de Peso da Régua, Mesão Frio e Santa Marta de Penaguião se reuniram com o Secretário de Estado da Infraestrutura, e com os responsáveis pela IP. Nessa reunião foram apresentados dois cenários: o primeiro previa o encerramento total da linha, durante três meses; o segundo, propunha que a empreitada se realizasse ao mesmo tempo que a exploração da linha e durasse doze meses, o que provocaria a supressão de dois comboios diários, o primeiro da manhã e o último da tarde/noite.

Na época, a escolha dirigiu-se para a primeira opção, porém, “um ano depois, a Região é confrontada com a decisão da IP de encerrar a linha, suprimindo sete comboios na ligação diária entre Porto e Peso da Régua, passando de treze a seis. Mas a IP não se fica por aqui e prepara-se para suprimir três comboios na ligação entre Peso da Régua e o Pocinho, passando de cinco a dois”, declarou a Câmara de Peso da Régua, em comunicado, acrescentando que “esta decisão viola o compromisso assumido com os Autarcas e com a Região”.

Por tais razões, a Câmara do Peso da Régua posiciona-se contra estas decisões, num total desacordo, sendo que “vai diligenciar junto dos Autarcas da Região”, para solicitar uma reunião urgente, “por forma a manifestar total desacordo e solicitar a reversão/revisão do processo” concluiu.

CR

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