Percorrem Linha do Tua a pé para reavivar a memória

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Termina hoje, em Bragança, uma caminhada de três dias que pretende “resgatar a memória” da Linha do Tua. Oito amigos com raízes na região decidiram percorrer toda a extensão da linha do Tua, entre o concelho de Carrazeda de Ansiães e Bragança, para evitar que caia no esquecimento.

“Enquanto houver alguém que caminhe sobre a linha, ela não estará completamente morta”, afirmou Pedro Monteiro, um dos oito amigos. Sem aspirações de reverter a desativação da linha, os amigos quiseram “homenagear e reavivar a memória desta linha centenária”.

Os oito amigos arrancaram na sexta-feira, da estação de São Lourenço, em Carrazeda de Ansiães, um troço que vai ficar submerso pela barragem de Foz Tua. O percurso inclui em Santa Comba de Rossas, já próximo de Bragança, o “cume ferroviário” do país, situado a 850 metros de altitude.

Pedro Monteiro lamenta o encerramento sucessivo dos vários troços da linha que “foi feito sempre contra a vontade das populações”, que tinham no comboio “o seu único meio de mobilidade”.

A caminhada acontece dias depois de terem sido desclassificados da rede ferroviária nacional os últimos 50 quilómetros da via e na a altura em que está previsto o início do funcionamento da barragem da Foz Tua e, consequentemente, o alagamento do Vale do Tua, que deixará submersos os 16 quilómetros iniciais da linha.

O primeiro troço, entre Mirandela e Bragança, foi desativado em 1991. Os últimos 50 quilómetros, entre Mirandela e o Tua, resistiram por iniciativa da Câmara de Mirandela que assegurou o transporte público ferroviário com a extensão do Metropolitano de Superfície.

Vários acidentes mortais, entre 2007 e 2008, e a construção da barragem levaram depois ao fim do troço entre o Cachão e o Tua. O plano de mobilidade turística, criado como contrapartida pela construção da barragem, prevê reabilitar cerca de 40 quilómetros para fins turísticos.

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