O Dinheiro do Estado

Caseiro Marques

Por: A.F. Caseiro Marques

Posso afirmar que se não fui o primeiro, fui de certeza dos primeiros a falar e a propor o alargamento do Parque Corgo, no que ao prolongamento dos caminhos pedonais diz respeito, para jusante da Ponte Metálica, até ao canhão de Relvas.

Há muitos anos que propus o aproveitamento dos antigos caminhos que serpenteavam pelas encostas que ladeiam as margens do rio Corgo e designadamente o espectacular passadiço que acompanhava a levada por onde passava a água da pequena Barragem do Terragido, atrás da Vila Velha, para alimentar a Central com o mesmo nome, bem abaixo do Monte da Forca.

Passado pouco tempo, após o encerramento daquela central, estando o edifício e os equipamentos a serem vandalizados e roubados desloquei-me ali para observar o que se passava e cheguei a propor que a Central fosse adquirida pela Câmara e transformada num museu, como merecia e com o que o Município e a região teriam muito a ganhar. 

Contudo, como a ideia não saiu da cabeça de quem detinha o poder quase absoluto, na altura, tudo foi por água abaixo, seguindo o curso do Corgo, até ao Douro e certamente desaparecendo no mar Atlântico. 

Mas o passadiço deve estar lá, é muito agradável e podia ser aproveitado.

Assim como estão lá os caminhos que permitiam o acesso aos muitos pequenos prédios de cultivo que existiam nas encostas, de um e outro lado do rio. Era perfeitamente possível recuperar esses caminhos e Vila Real ficaria dotada de um percurso extraordinário, que tenho a certeza teria trazido até nós milhares de pessoas, muito antes de ter surgido a ideia da construção de passadiços noutras regiões do país.

Ainda por cima, pouco se gastaria na recuperação desses caminhos e das infra-estruturas existentes, que poderiam servir de pontos de atracção e de apoio aos caminhantes que fizessem esse percurso.

Mas quiseram os homens que assim não fosse.

E como agora há muito dinheiro para gastar, há mesmo muto dinheiro que tem de ser gasto, porque sim, aí temos a construção do passadiço, rio abaixo, copiando o que se está a fazer por todo o país. Passadiços com estruturas em madeira, que vão necessitar de manutenção permanente, para além dos custos iniciais.

 Isto para não falar na agressão à paisagem que constitui a inserção, nas bonitas encostas agrestes mas naturais do nosso rio Corgo de elementos estranhos, visíveis a grande distância.

E não me venham com a invocação de questões de segurança. Bastaria que num ou outro local, em que a passagem pudesse envolver algum risco, colocar cabos ou corrimãos metálicos.

Tudo isto me faz lembrar o luxo que consiste na colocação de lajes de granito, nas nossas ruas, onde irão ou já circulam automóveis, armados em ricos. 

Ou, então a colocação de focos de iluminação no solo, que não servem para alumiar, apenas para ser bonito e que acabam partidos pelos vândalos e noctívagos, sem qualquer consequência. Porque parece que somos ricos.

Ou a ideia peregrina que espero já se ter esfumado, de construir um elevador entre a Ponte de Santa Margarida e a Ponte Metálica. E outro entre o Jardim da Carreira e o adro da igreja do Calvário. Porque parece que somos ricos.

E como foi a colocação de madeira no Pioledo, em frente às arcadas dos prédios. Ainda se lembram? Ou o a destruição do antigo SLAT, também no Pioledo, para construir o mamarracho que lá se encontra sem qualquer utilização há vários anos, bem como os arranjos em seu redor. Tudo porque parece que somos ricos.

Não falo em tantas outras obras que foram realizadas pelo executivo autárquico anterior e também já por este embora em menor escala.

E também não falo que isto se passa em todos os municípios.

E igualmente no respeitante às obras e investimentos feitos pela administração central.

E nos subsídios dados a tanta gente que não merece e não precisa, faltando depois dinheiro para aquilo que é verdadeiramente importante e necessário. Porque parece que somos ricos.

Quanto dinheiro mal gasto!

e o estado e as autarquias esquecem-se que o dinheiro que gastam à tripa forra não lhes pertence. É nosso. É de que quem paga os impostos. Basta!

1 – Uma homenagem merecida. No dia 19 de Agosto ocorreu o aniversário da morte do Dr Otílio Figueiredo (PAI). Ainda convivi com este Senhor. Ia à Livraria e ficava horas a falar com ele. Inteligente, conversador, disponível, elegante e de esquerda, convicto e não por interesse. Tenho pena de não o ter conhecido antes de vir para vila Real.

2 – Se estivéssemos no tempo do Dr António de Oliveira Salazar ou se Portugal já tivesse readquirido alguma dignidade após a bagunça que se instalou a seguir ao golpe de 25 de Abril, a ministra Ana Mendes Godinho já tinha recebido um cartão a dizer: “Muito obrigado pelos serviços prestados ao país!” Vá tratar da sua vida. Assim…

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