Maronesa, o “diamante em bruto” das Serras do Marão e Alvão

A Maronesa invadiu a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), no passado dia 6 de novembro, para o seminário “Terra Maronesa: economia circular & regeneração territorial”. Mais de 70 participantes assistiram a relatos reais dos criadores de maronês, refletiram sobre o presente e o futuro do território e saborearam aqueles que são os produtos tradicionais desta “Terra Maronesa”.

Criadores e especialistas no ecossistema e alimentação reuniram-se no auditório de Ciências Agrárias da UTAD, para o seminário promovido pela comunidade Terra Maronesa, no âmbito de uma candidatura ao Fundo Ambiental.

O evento contou com personalidades diversas da criação da raça autóctone Maronesa (uma raça bovina das serras do Marão e Alvão, que abrange os concelhos de Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar, Vila Real e Mondim de Basto), nutrição, botânica, turismo e cultura e estruturou-se em quatro painéis: “Terra Maronesa: ecossistema “clima-positivo”, “Terra Maronesa: Identidade e Valorização Alimentar”, “Terra Maronesa: Turismo, Cultura e Inovação Social” e “Terra Maronesa”: presente e futuro”.

No primeiro painel, moderado pelo botânico Carlos Aguiar, investigador do Instituto Politécnico de Bragança, foi possível ouvir as histórias, constrangimentos da produção e preocupações dos criadores de maronês António Moutinho, Avelino Rego, Mário Queiroz e Heitor Fernandes. O moderador caracterizou o Alvão como “um diamante em bruto” e destacou a importância das vacas para a região. “Os criadores aprendem com as vacas como é que o monte funciona”, referiu.

Receosos com o futuro da produção pecuária, nomeadamente de gado maronês, os produtores relembraram o papel das vacas para a cultura e para a regeneração territorial da cadeia montanhosa Alvão/Marão. “Sem os animais seria impossível haver produtividade nos lameiros e quando acabarem as vacas acabam as pessoas”, sublinhou António Moutinho. Avelino Rego, acrescentou ainda: “Não somos só criadores de gado, somos também gestores de paisagem”.

“A identidade alimentar é uma resposta para a regeneração territorial”

O painel “Terra Maronesa: Identidade e Valorização Alimentar”, composto pela nutricionista Ana Helena Pinto e por João Calejo, teve como objetivo principal apresentar o Manual da Identidade Alimentar Terra Maronesa, elaborado por Ana Helena Pinto e André Fontes, e divulgar o projeto “New Food”.

Após a apresentação do Manual, a nutricionista e fundadora da Nutrition for Happiness, relembrou que “reconhecer a identidade alimentar é uma resposta para a regeneração territorial e reconecta aquilo que nós somos, comemos e produzimos”.

O projeto “New Food” assenta numa valorização económica e transferência do conhecimento científico e tecnológico, incentivando o aparecimento de produtos alimentares inovadores, consolidando com os produtos tradicionais.

O terceiro painel, “Terra Maronesa: Turismo, Cultura e Inovação Social”, teve como oradores João Lima, da Natourtracks, e António Luís Ferreira, do VERde NOVO, que se debruçou sobre as várias dimensões do projeto (cultural, ambiental, turística e social), apontando caminhos para o futuro.

Seminário promoveu práticas “amigas” do ambiente

Houve ainda uma mostra com degustação, a “Merenda Terra Maronesa”, e networking entre os participantes durante a exposição “Terra Maronesa”, no final do seminário, com debate, perguntas e respostas.

De salientar que a merenda e o lanche “Terra Maronesa” aglomerou somente produtos tradicionais e endógenos da região, provenientes de restaurantes e produtores desta “Terra Maronesa”. De realçar que este foi um convívio amigo do ambiente, tendo a organização optado por utilizar copos biodegradáveis e feito a devida separação do lixo no final.

O seminário “Terra Maronesa: economia circular & regeneração territorial”, visou a interligação e transferência de saber entre a Universidade/Escola de Ciências Agrárias e Veterinárias e os criadores e restantes agentes envolvidos no processo de produção.

Foi organizado pela Comunidade Terra Maronesa, promovido pela Aguiarfloresta, financiado pelo Fundo Ambiental de Portugal, com o apoio da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, entre outros parceiros, públicos e privados.

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