Os partidos políticos assemelham-se às cortes de outrora. Há lá gente de muita cara, de muito pensamento, de muito feitio e de gosto diverso, de vário querer e ambição. Há aqueles que não saem da roda do «rei», porque imprescindíveis e sem os quais não há «realeza» que se mantenha de pé. Há os fiéis-acólitos sempre prontos para o beija-mão, porque meio do seu sustento. Há, também aqueles que detestam estes, porque não incluídos no círculo restrito do poder, mas que estão sempre prontos para serem convidados para a mesa real. E há os intriguistas, os maldizentes à esquerda, à direita, ao sabor dos seus interesses. Uns a fazer e outros a desfazer. Enfim, nestas «cortes» republicanas há, ainda, mãos-cheias de inveja, de discórdias e de traições. Sacos de gatos, é o que é, como costumam dizer os políticos da pátria portuguesa.

A corte social democrata reuniu-se recentemente, para entronizar o novo «condottiero» do partido que muitos não quiseram, porque não amam, quase não toleram, preocupados com sua existência futura já que o «seu certo» se pode transformar num tempo obscuro, em razão do passado do empossado líder, homem de rigor, contrário a compadrios, a benesses gratuitas e outras coisas a que os políticos com muitos ou poucos «galões» estão habituados. O palco, onde subiram os eleitos ou não, mostrou, à plateia e às frisas, os seus interesses, a razão pela qual estavam ali, em concordância ou em discordância com os pressupostos defendidos pelo detentor do poder. Aqueles sorriam. Os outros iam de rostos e sorrisos irónicos, a transparecerem desagrado e desilusão, na mente e, depois, na palavra, com subentendidos ou ameaças claras. Hoje, não têm a primazia de se sentar nos melhores e mais fofos cadeirões laranjas, mas amanhã… amanhã pode ser que… Prometeram-se batalhas. Foi o momento em que a corte foi mesmo corte. E depressa se viu que a corte não está unida. E percebeu-se que muitos roeram a corda que seguravam. Ouviram-se ranger de dentes, ais por ardores estomacais, por disenteria e problemas hemorroidais.

E o novo «condottiero» sorria, porque aqueles azedumes lhe faziam bem, o entusiasmavam, davam-lhe oportunidade de brandir espadas a que vinha acostumado de outras lides. E depois muita daquela conversa que se ouvia, não passava de «questões de mercearia», comentou. Ou seja, o “novíssimo príncipe” saberá que “não deve crer nem agir levianamente nem se deixar invadir pelo medo”.

Podíamos dizer estas coisas de um outro modo.

As chuvas de Janeiro trouxeram à S. Caetano águas novas. Nos últimos tempos muitos esperaram por um “rio” cheio, de águas abundantes, onde pudessem nadar e flutuar num futuro próximo, fartos que estavam da estação seca que o diabo promoveu. As águas de Janeiro queriam-se límpidas, claras e transparentes. A correnteza foi forte e em Fevereiro notou-se que tinha arrastado troncos secos, carcaças que as águas encontraram pelo caminho. E também, quiçá, sem surpresas, logo apareceram crocodilos a querer infestar o rio.