Grémio Literário: 14 anos ao serviço da literatura trasmontana

Era dia de S. Martinho e o Grémio Literário  Vila-realense fazia 14 anos de idade. Um adolescente, com muito caminho feito, porém. Foi aniversário que não mereceu bolo de aniversário, nem castanhas e muito menos jeropiga, como em anos anteriores, nem discurso, nem palmas, consequentemente. Este foi desenxabido, fusco como o dia nubloso. Nem o Verão de S. Martinho se dignou aparecer. Pelo menos não chovia. Também a celebração foi diferente. Havia uma hora de começo, às 15 horas, esticada até às 17 horas. Isto é: os habituais frequentadores ou fãs destas sessões culturais que aparecessem, quando lhes apetecesse, que a Filomena, a Lúcia e o Elísio estavam de serviço para bem receber quem  ali  fosse. Por isso, nada de «estresse». Foi o que fiz. A dificuldade, pequena, diga-se, foi chegar à Biblioteca. Naquele território as obras nos arruamentos próximos ainda não terminaram. E quem não adivinhou as ruas livres, tramou-se. Não é que o desarranjo fosse grande, convenhamos. Uns metros a pé só faz bem  ao corpo. O pior era sempre a máscara. Ela a descer para o queixo e dois dedinhos a querer fixá-la no nariz. Ela teimosamente a voltar a descer e os dois dedinhos a insistirem para que ela se portasse bem, ficasse quieta. Se se cumprissem os normativos, a cada gesto destes dever-se-ia borrifar as mãos com álcool ou gel, não fosse o «diabinho» coronado andar solto  no ar e se ter fixado no exterior da máscara.

Ora, eu lá fui até ao Grémio, não com o chamariz das castanhas, da jeropiga ou da água-pé, mas  pela  nova edição da  Tellus, Revista de Cultura Trasmontano e Duriense, muito mais velha que o Grémio Literário e ao mesmo tempo para ver o que a Exposição Literária sobre o poeta Rui Pires Cabral podia revelar. Ao descer as escadas que nos encaminham para o átrio do Grémio, deparei-me com uma meia dúzia de cadeiras solitárias, divorciadas delas mesmo e da função que era suposto cumprirem. Percebi perfeitamente esta tristeza. Não é que não tivesse havido quem, antes de ali ter chegado,  as tivesse ocupado, como prova a fotografia que serve de ilustração a este texto. Mas havia luz no interior do Grémio. No corredor, Elisio Neves e Albertino Correia conversavam frente à montra onde marcavam presença os livros do poeta, recortes de textos, quadros alusivos ao mesmo. Sem demora,  o curador da exposição,Elísio Neves,  colocou-me nas mãos o volume  nº 73 da Tellus. Estão a perceber agora porque disse que a revista é mais velha que o Grémio Literário? Fotografei a montra. E eis que chega um dos autores mais representados nas edições desta publicação: o dr. Ângelo Sequeira, contador exímio de histórias de vária natureza, as em especial de momentos singelos de caça. Segui até ao «secretariado», digamos deste modo,  porque assim é na verdade. Encontrei três damas, devidamente mascaradas, mas bem dispostas. Ao centro,  Eugénia Almeida, a vereadora da Cultura, a um lado Filomena e do outro Lúcia como damas de honor. Dois dedos de conversa e, uma fotografia para memória do momento.

E assim seria o resto da tarde. Ia chegando um e outro. Dois dedos de conversa. Revista debaixo do braço e ala à vidinha. Oh! Tempo de pandemia. Oh! tempo de crónica chocha! Verdade. Este texto que era para ser apenas  notícia, excedeu-se,  transformou-se letra após letra palavra após palavra, nesta crónica  factual e relato das circunstâncias e da relatividade do nosso tempo.

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