A Filandorra – Teatro do Nordeste continua com o périplo pelo interior dos interiores… da alma humana a partir do espetáculo À Manhã de José Luís Peixoto, um dos autores de maior destaque da literatura portuguesa contemporânea, numa linha de linha de trabalho que valoriza os territórios do interior como espaços naturalmente dignos de experiências no domínio da criação literária e artística, em contraponto com os “tradicionais” centros de criação nas zonas urbanas.

É neste contexto que a Filandorra se associa ao Município de Vila Pouca de Aguiar para “celebrar” o Dia Internacional dos Museus, que se assinala a 18 de maio, com o Museu Municipal Padre José Rafael Rodrigues a receber este espetáculo, com duas sessões agendadas para públicos distintos: à tarde, pelas 15h00, para idosos das IPSS do Concelho, e às 21h30 para o publico em geral, com o Museu a servir de ponto de encontro entre o presente e o passado e onde os atores e público redescobrem os modos de estar, as rotinas, as falas… dos “nossos” idosos, num grito de alerta para a necessidade de “ver e sentir” o quotidiano do mundo rural, os problemas do despovoamento e envelhecimento das populações das aldeias do interior do país. O pátio interior ao ar livre do Museu servirá de palco a cinco personagens, três mulheres e dois homens, que dão corpo aos seus desejos e receios, numa “viagem” pelo tempo das estações: as Primaveras e os segredos, os enganos e o Verão, os beijos nunca dados e o Outono onde se retarda o último frio. Trata-se de mais uma iniciativa conjunta entre a Filandorra e a edilidade local que pretende acima de tudo “quebrar” barreiras no acesso ao teatro pelas populações do interior do país, longe que estão dos grandes centros de criação.

No Sábado, o espetáculo À Manhã vai estar no vale do côa para ser representado para as populações da aldeia de Mós, no salão da antiga junta de freguesia pelas 21h30, no âmbito do XX Aniversário da Associação de Cultura e Recreio “As Mós”, numa iniciativa que conta com o apoio da Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa e com a qual a Filandorra tem vindo a desenvolver um protocolo de cooperação nos domínios da animação teatral que tem permitido às populações daquele concelho receber várias produções da Companhia.

A presença contínua da Filandorra com a representação de espetáculos nas cidades, vilas e aldeias do interior do país tem contribuído para uma maior dinâmica social e cultural das populações, corroborando pela perseverança da sua atividade cultural com os objetivos da defesa do interior que o Movimento pelo Interior tem vindo a “agitar” no espaço mediático e que apresentará formalmente as suas propostas no dia 18 de Maio, no Museu dos Coches em Lisboa.

O Movimento “extingue-se” mas a Filandorra manter-se-á firme na elevação cultural das populações do interior do país!