Esquerda e Direita

Por: Caseiro Marques

Sei que o que vou escrever não é politicamente correcto. Mas como tenho dito desde há algum tempo a esta parte, cada vez me apetece menos ficar-me pelo politicamente correcto. A verdade dói muito, mas se é a verdade…

Vem este palavreado a propósito das eleições americanas e dos resultados de Biden e de Trump e do que se pode vir a passar aqui em Portugal, em Janeiro próximo. Ostracizar quem vota na direita. Cá, como na América. Como se a direita não pudesse existir.

A Ana Gomes conhecia-a nos bancos da Faculdade de Direito. E isso me basta, para decidir não votar nela.

Sobre Marcelo nada acrescento ao muito que tenho escrito. Ele é o máximo representante do politicamente correcto, perito em não fazer ondas, dizer apenas o que lhe interessa para ganhar votos, dar beijos, a torto e a direito, agradar a gregos e a troianos.

André Ventura é o outsider da política portuguesa, que em pouco tempo está a ganhar votos à esquerda e à direita, como defensor de extremos que é. Podem ter a certeza que há pessoas que se dizem de esquerda e que irão votar em Ventura.

Ventura também vai dizendo o que muitos gostam de ouvir.

Porquê?

Porque mais ninguém diz o que ele diz. Que não é politicamente correcto.

Por exemplo?

Por exemplo que não se podem atribuir subsídios à toa. Alguma coisa tem de ser feita para acabar com a subsidiodependência que se instalou na sociedade portuguesa, desde há muitos anos.

Há muitas pessoas que não trabalham porque não podem. Ou porque sofrem de deficiências físicas incapacitantes. Ou porque sofrem de doenças que os impedem de exercer qualquer função útil à comunidade.

Mas a grande maioria das pessoas tem aptidões para o exercício de uma qualquer função ou para executar qualquer trabalho.

Dirão alguns que as pessoas podem não se sentir habilitadas ou com competência para o exercício de determinada função. Mas certamente podem ser úteis noutra função onde se sintam realizadas. E se tiverem alguma dificuldade em encontrar trabalho compatível com as habilitações que adquiriram, têm de se virar.

Saber ganhar o pão de cada dia deve ser um desejo de qualquer mortal que se preze em ter respeito pela sociedade que o acolhe e por si próprio.

É aí que Ventura tem razão, sem dúvida nenhuma.

Quero com isto dizer que tudo o que Ventura diz é fácil de ouvir e apoiar?

Não! Não é. Mas nesta parte dificilmente a maioria das pessoas discordará.

1 – Muito se estranha a afirmação de António Costa quando diz que o PSD ultrapassou uma linha vermelha ao fazer um acordo com o CHEGA com vista à formação do Governo Regional nos Açores. Quem sou eu para dizer o contrário, se a grande maioria das pessoas considera, há muito tempo, que foi Costa a pisar uma enorme linha vermelha quando deu a volta ao PSD, e construiu a Geringonça com os dois partidos da extrema-esquerda portuguesa.

A não ser que se entenda que apenas a esquerda tem o direito a existir e a formar Governos. Parece que é isto que Costa e os seus comparsas defendem.

Mas não tem razão nenhuma. As pessoas que votaram e irão votar no CHEGA e em André Ventura, nos próximos actos eleitorais, devem merecer o mesmo respeito que aquelas que votam nos partidos da extrema-esquerda, Bloco e PCP.

Ou serão os votantes do Bloco e do PCP mais democratas do que os votantes no partido de Ventura ou da Iniciativa Liberal?

Não se pode diabolizar a direita apenas porque se trata da direita. O mesmo, em relação à esquerda.

Não se esqueçam que os regimes onde se instalaram partidos que se apoiavam na mesma ideologia do Bloco e do PCP deram origem a muitos milhões de mortos. Muito mais do que os regimes de direita.

É bom não esquecer isso.

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