Egoísmos

Tenho de confessar o meu pecado. Tenho muitos, como qualquer ser humano. Mas este cometi-o e tenho de o confessar publicamente. Fui egoísta.

Eu explico melhor.

Preparava-me para “dar um sabonete” ao Governo, mas depois de ler o artigo da Clara Ferreira Alves na última edição do jornal Expresso, tive de me conter e arrepiar caminho.

Direi que o “sabonete” ao Governo tem a ver com as medidas que têm sido tomadas em relação à pandemia. Considero que muitas críticas são injustas. Ainda por cima, vindo de quem vêm. Da restante classe política.

É que é muito fácil criticar. Mas ainda gostava de ver lá certos políticos a terem de tomar medidas para conter a pandemia e agradar a alguns sectores da sociedade. Partidos, sindicatos, Igreja, associações patronais e outras.

Será que teriam coragem e sabedoria para fazerem de modo diferente?

E, se fizessem de modo diferente, os resultados seriam melhores para a sociedade e para a economia?

É muito fácil criticar quem tem de decidir, mas nem sempre nos pomos no lugar de quem decide.

Li o referido artigo e dei de caras com críticas à forma como as vacinas para a gripe foram assunto esquecido ou pelo menos mal tratado.

E eu, que tive a sorte de tomar a vacina a tempo e horas, vejo que o consegui fazer por mera sorte e por ter ido, no dia certo, ao meu Centro de Saúde. Estavam lá muitas outras pessoas que também foram atendidas. Não passei à frente de ninguém, devo esclarecer, para não pensar alguém que me andei a mexer para retirar o lugar e a vez a outras pessoas. Nunca fiz isso. Não era agora que o iria fazer. Nem concordo com quem o faz.

Egoisticamente, desliguei do assunto. Não dei ouvidos às notícias sobre a vacina e pensava que eu estava tudo a correr bem

Mas… há sempre um mas..!

Ao ler o artigo, verifico que as contas estavam mal feitas, pois os dois milhões de vacinas não chegaram sequer para vacinar aquelas pessoas que, por serem de risco e pela idade, tinham direito a serem vacinadas.

E que nas farmácias as vacinas distribuídas não chegaram, nem pouco mais ou menos, para as pessoas que se haviam inscrito.

Quer dizer: a Ministra, que se andou a pavonear numa instituição onde nada de anormal acontecia – ela sabe bem onde deve ir e não é propriamente a um hospital transformado em armazém de doentes com COVIR, nem a um lar a tresandar a COVIR! – e a dizer que estava tudo a correr bem; a fazer apelos à vacinação; “que este é um momento muito especial, porque estamos num ano absolutamente extraordinário e que tem exigido o melhor de nós”; a elogiar o “envelhecimento activo”; que é essencial a vacina, para proteger as pessoas, mesmo contra o COVID, que assim ficarão mais protegidas; e blá.. blá…blá, pardais ao ninho. E, a final, esqueceram-se de comprar vacinas suficientes e a tempo e horas, para toda a gente que o quisesse pudesse ser vacinada.

O meu egoísmo vem exactamente do facto de, sentindo-me servido, me ter esquecido destes pormenores! Não haver vacina para todos, como nos foi prometido e repetido.

Tudo com a agravante de se ter estabelecido um mercado paralelo de venda de vacinas.

Ou seja, há gente, empresas e laboratórios a facturar, porque o Governo não se precaveu e não foi diligente nesta matéria, como não tem sido noutras.

Bolas, para os elogios que eu pretendia fazer ao Governo e à Ministra!

1 – PRESIDENCIAIS. QUEM APOIA QUEM. Nunca o Partido Socialista se dividiu tanto como actualmente no apoio aos diferentes candidatos a ocupar a cadeira de Belém. Segundo o jornal on line OBSERVADOR, há pelo menos quatro linhas de fractura entre os socialistas sobre o candidato que poiam ou apoiariam. Curiosidade é o deputado Ascenso Simões apoiar o candidato apresentado pelo Partido Comunista, João Ferreira. Desalinhado, como sempre, terá esquecido que este candidato pertence a um partido que perfilha uma ideologia responsável por centenas de milhões de mortos. Ascenso ainda será candidato a deputado no próximo acto eleitoral para a Assembleia da República?

2 – Não vi nenhuma bandeira do Bloco, do PCP, da Intersindical, da UGT, nas manifestações dos trabalhadores da restauração, no Porto e em Lisboa. Mas vi Marcelo e Costa a apelar à calma. À calma? Porque será?

3 – Gostaram de ver um africano a mandar calar, no ambão, um sacerdote, durante a Missa, no passado Sábado, no Entroncamento? Vejam e a avaliem o que aí vem. O que nos espera. Reacções? Nenhumas. Para já, nem da Conferência Episcopal! Medo? Deixem-se andar.

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