E eis que finda 2020

EDITORIAL, por Joaquim Ribeiro Aires*

E eis que finda 2020. Quando começou, creditávamos que seria um ano diferente, superior. Trazia no corpo o bom sinal, acreditávamos nós, só por ser redondo, sonoro. Enganou-nos bem, expressão que, às vezes, usamos, quando alguém desiludiu as nossas esperanças. Mas ele vinha com um mal escondido. Nós é que não sabíamos. Os dias iam passando e a sua formosura inicial foi-se desvanecendo, foi-se alterando, como se fizesse uma operação plástica, não para  ficar mais belo, mas pelo contrário. Apanhou-nos de surpresa e xingou-nos a vida, ainda que nós não quisemos acreditar. Dia após dia foi-se apresentando com a sua fealdade cada vez mais forte e nós, cheios de esperança, cantávamos «vai ficar tudo bem». E com canções fomos vivendo os dias, acreditando que o calor nos livraria do mal invisível. Mas as notícias eram todas más ou muito más. O mundo estava dominado pela instabilidade e imprevisibilidade. Agora era a nossa vez de vivermos aquilo que estudámos nos livros de História. Não, não estávamos nos séculos XIV, XVI, XVII ou XIX. Ficámos a saber o que é uma pandemia. Ficámos a saber o que é insegurança, medo, incerteza, instabilidade, precaridade, confinamento, desconfiança, como é viver com máscara, mas também com esperança. “Não há mal que sempre dure”, diz o povo e nós sabemos que assim será.

Vamos olhar em frente. O amanhã será melhor que o ontem. Sabemos que se hoje chove, amanhã raiará o sol, ainda que não para aqueles que se vão com o carimbo de uma morte inusitada. Ao inverno seguir-se-á a primavera e, depois, o verão. Em dia de calor haverá perto de nós uma sombra que aliviará do sol abrasador.  

O Noticias de Vila Real, ao longo deste ano, foi acompanhando de perto os problemas que a todos ainda afligem, ajudando a compreender a dimensão desta «tragédia» que nos acometeu. Em entrevista e reportagem, procurámos colher as preocupações, as suas fragilidades, as suas angústias, os seus temores, mas também as suas esperanças. Falámos com comerciantes, lojistas, industriais, com agricultores, com instituições, com artistas e muitas outras pessoas. Divulgámos eventos das nossas escolas e agentes culturais. Acompanhámos o teatro, a literatura e as artes. Estivemos atentos à política nacional e local, às palavras e aos actos daqueles que nos governam. Os nossos cronistas pela «pena» dos nossos cronistas versaram e analisaram os mais diversos temas. Contámos, sobretudo com os ossos assinantes, os nossos leitores, porque não há jornais sem leitores. Agradecemos a todos quantos estiveram connosco.

A todos os nossos leitores, a equipa do Notícias de Vila Real deseja Boas Festas.

*Subdiretor

Menu