Decepciono-me com a humanidade

Por: Anabela Quelhas

Protestar contra o racismo e contra a violência converteu-se numa onda gigante de contradições e de cenas de violência de rua, em diversos países, completamente censuráveis e gratuitas.

A boa intenção de uns, converte-se em oportunidade de ódio e violência para outros, que espreitam situações onde podem dar visibilidade à sua agressividade animalesca.

Tudo o que são manifestações espontâneas, eu não estarei lá, exactamente pela grande probabilidade em terminar em desacatos, formando bons motivos para o autoritarismo vingar e se elegerem monstros para nos governar. A extrema-direita, disfarçada, vai aproveitando e ganhando terreno. O que tem uma coisa a ver com a outra? Pois, aparentemente não tem, mas vão-se infiltrando entre os bens intencionados, provocando distúrbios, orientando situações para a violência e o ódio, para despertar na população acções reactivas perigosas. Pessoas assustadas nunca tomam boas decisões. 

Querem uma sociedade sem agentes da autoridade? Metem tudo no mesmo saco? Imaginem como seria a nossa vida com esta gente agressora, solta sem rédeas, a incendiar, a partir, a estragar… não há causas que justifiquem o incitamento ao ódio.

O discurso de ódio resvala facilmente para a violência, não dignifica causas e produz um efeito contrário ao que se pretende.

Eu quero paz pública. Quero tribunais a funcionar e a punir quem prevarica, e que a História nunca se apague, porque é lembrando que aprendemos a não repetir erros. Se a lógica fosse destruir estátuas, poucas restariam. Deveremos promover a verdadeira informação sobre quem elas representam, devidamente contextualizada, para lembrar, para termos presentes o eterno confronto entre o bem e o mal

Mesmo assim sinto-me entalada entre a nobreza da causa e o vandalismo.

Decepciono-me com a humanidade, causa-me muito desconforto tudo o que não dignifica o ser humano, e não é só o racismo, há uma estrada larga de imperfeições das sociedades – os diversos tipos de escravatura dos dias de hoje, a violência contra as meninas e mulheres, a exploração do trabalho infantil, a fome, a pobreza, … e nós vivemos no paraíso, porque a nossa democracia permite-nos ter ideias próprias e protestar.

A violência no mundo reflecte o que “nós” somos. Pensemos nisso, porque refexão, é preciso!

Após o COVID, o que menos precisamos é de agitação social. E ela está aí! Até parece de propósito…. Será que não?       

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