COVID-19: Rui Santos exige laboratório de diagnóstico na região transmontana

O presidente da Câmara de Vila Real, Rui Santos, afirmou que é “inconcebível” que a região transmontana tenha sido excluída da rede de laboratórios para o diagnóstico da COVID-19 e exigiu a revisão da medida que inclua o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro.

“O nosso Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) não está na lista de laboratórios que poderão realizar a testagem para a COVID-19. Fomos ainda informados de que esta situação não faz sentido, uma vez que o Hospital já tinha o número de casos suficientes para ser validado”, afirmou Rui Santos à Agência Lusa, exigindo “ao poder central a revisão imediata desta situação, no sentido do hospital poder realizar os referidos testes”.

“Vila Real não é Lisboa ou Porto, com um hospital em cada esquina. O CHTMAD é a única unidade de saúde preparada para nos acudir. Está em causa a saúde de todos nós”, frisou numa carta remetida hoje ao primeiro-ministro, António Costa, e à ministra da Saúde, Marta Temido.

Nesse documento, Rui Santos afirmou que, como consequência desta decisão da Direção-Geral da Saúde (DGS), o “Nordeste Transmontano fica numa situação muitíssimo alarmante, nomeadamente quando se verifica um aumento significativo de contágios”. “Ao não ser possível realizar testes localmente, a nossa população vai passar a ter um atraso inaceitável no recebimento dos resultados dos testes, pois estes terão que ser enviados para o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA)”, referiu o presidente na missiva, acrescentando que “a diferença é entre receber o resultado em 24 horas (hoje) e passar a recebê-lo num prazo mínimo de 72 horas e isto se o INSA não estiver assoberbado com o número de casos a analisar”.

Um atraso que, segundo o presidente da Câmara Municipal de Vila Real, causará uma propagação mais rápida da COVID-19, uma vez que, “durante esse tempo, o caso suspeito pode infetar os profissionais de saúde, a família e a população em geral”.

Ficou também claro, para Rui Santos, que “o Nordeste Transmontano não vai ter direito a ser testado de forma mais generalizada, apenas se testando casos sintomáticos”. “A cadeia de contaminação agora detetada no Lar de Nossa Senhora das Dores, em Vila Real, encarregar-se-á de demonstrar o desacerto dessa medida”, sustentou.

Para além disso, o autarca mostrou-se preocupado com o regresso dos emigrantes ao território, uma vez que, “esta situação vai seguramente acelerar o número de casos na região, já que as forças policiais no terreno são escassas para impor o isolamento decretado” e “sem laboratório de testes no Nordeste Transmontano, esta situação poderá vir a resultar numa verdadeira calamidade”.

De recordar que o município acionou ontem o plano de emergência municipal, justificando com o “aumento significativo do número de infetados no concelho de Vila Real, provenientes de uma cadeia de contacto identificada e em fase de controlo no Lar da Nossa Senhora das Dores”.

Segundo a Agência Lusa, a autarquia explicou que o acionamento deste plano em nada interfere com as medidas restritivas aprovadas e implementadas pelo governo, nem altera as recomendações da DGS e que esta ativação decorre essencialmente da “necessidade de aprofundar a articulação entre as várias entidades com um papel na pandemia de covid-19 e de centralizar a informação sobre todas as questões relacionadas com o combate”.

Para além disso, após validação da secretária de Estado da Administração Interna, o plano distrital de emergência e proteção civil de Vila Real foi ativado ontem.

Fonte: Lusa

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