Copofonia poluente

Por: Anabela Quelhas


Aprecio a campanha a que o sr. Presidente da Câmara assume para sensibilizar os vila-realenses para a recolha de lixo nos espaços públicos, “use mas não abuse”.

Enquanto não tivermos um presidente da Câmara melhor, é deste que gosto, que dá a cara, que fala aos munícipes e que põe as mãos na massa de forma pedagógica.

Esta campanha já vem tarde e provavelmente terá de ser feita regularmente, atendendo à gravidade e a repetição da situação.

Quem utiliza o parque Corgo pela manhã apanha com todo este lixo, feito durante a noite. Imagino que serão os nossos jovens, que se juntam ao longo da noite, na conversa e a beber. E bebem muito. Um consumo que fica mais barato do que nos bares, porque se abastecem no supermercado e lá vão eles de saquito na mão e regressam sem saquito e sem garrafas, porque elas ficam lá, onde calha.

Os brasileiros chamam-lhe o porre económico, eu chamo-lhe a copofonia poluente. Não sei que misturas fazem, quanto bebem, e quantos são. Só vejo os vestígios, o rasto, a pegada poluente, a falta de respeito pelo outros e pelo espaço. São muitas as garrafas e copos de plástico, abandonados nas mesas do parque e pelo meio do chão, denunciando falta de cuidado e civismo. Frequentemente, o volume das garrafas é superior ao depósito do lixo, mas isso não serve de justificação a nada. Se levam o saquito, também poderiam retirar-se com o saquito das garrafas vazias.

Estranho que os jovens apoiem a Greta e depois façam isto, revelando que as preocupações sobre o planeta são demasiado efémeras e pouco consciencializadas. Custa-me ainda mais perceber, que entre dezenas de jovens, não tenham aprendido nada na escola sobre o ambiente e que não haja pelo menos uma minoria, que decida organizar-se para contrariar a situação.

Ainda sobre o parque Corgo, deixo mais uma vez, mais um protesto, sobre a poluição da água do rio, resultante de descargas poluentes feitas em vários pontos, inviabilizando que o rio se converta num elemento de lazer de todos.

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