Como vai este país. Um minhocal….

1 – Infelizmente, este país parece uma máquina de lavar. Lavar roupa suja, muito suja. Sujidade que resulta da trampa que alguns da classe política, aliados ao capital (o velho capital que regressa!) vai fazendo desde o 25 de Abril. 25 de abril que se pretendia fosse uma libertação, em todos os sentidos, e, afinal, se veio a revelar uma enorme caldeirada onde uma grande parte dessa classe política se vem lambuzando, criando prebendas e alcavalas, para aumentar o seu pecúlio e o dos amigos. Estamos a falar de centenas, de milhares, de milhões, de milhares de milhões de euros. Milhões que saem dos bolsos deste povo singular, que em alguns casos, e em várias situações, mesmo perante as evidências dos factos, julgados e condenados, já demonstrou até gostar, estupidamente, de votar em corruptos, ladrões e seus lacaios.

Estou a escrever e a pensar na força e gravidade daquilo que escrevo. Mas estes termos ainda são curtos para qualificar o que vamos vendo, ouvindo e lendo.

Todos os dias somos confrontados com casos em que os protagonistas são, invariavelmente, os políticos, os banqueiros e seus ajudantes. Cada cavadela, sua minhoca. E cada vez maior.

Tudo isto diz bem das pessoas a quem temos estado entregues.

E nós, portugueses continuamos, ingenuamente, estupidamente, calados, a aceitar que esta gente nos continue a governar. Nos últimos dias falaram muito em vergonha. Mas eles não têm vergonha e nós não temos juízo. Não nos indignamos. Ou pelo menos não nos indignamos ao ponto de ir por aí abaixo e deitá-los a todos ao rio Tejo, para se lavarem bem da porcaria que têm feito.

E não me refiro apenas aos ministros. Falo de presidentes de Câmara, de vereadores, de dirigentes superiores do Estado, dos deputados, sim, dos deputados. A lata com que alguns vêm dizer, publica e candidamente, fazendo de nós parvos, que têm casa em Lisboa, mas vêm aos fins de semana, a Mangualde, a Fafe, a Sobral de Monte Agraço, a Beja, ou a Alguidares de Baixo, para já não falar aos Açores ou à Madeira, mas sentem-se no direito de receberem subsídio de deslocação e ajudas de custo para a suas estadias e alimentação. Que lata! E não esqueço factos passados com outros protagonistas, de outros partidos, que ficaram impunes ou quase.

Não tenho dúvidas que noutro país, país decente, isto não aconteceria ou teria graves consequências para todos o que prevaricassem.

E tudo se passa debaixo dos nossos olhos e dos olhos dos seus colegas dos partidos, que não reagem ou aparecem mais tarde, como virgens muito ofendidas, querendo-nos fazer crer que não se aperceberam que alguns deles vivem ou viveram muito acima das suas possibilidades, sem se saber de onde lhes vêm tantos “cabritos”. Depois admiram-se, repito o que ainda recentemente escrevi aqui, que se fale em populismo e se remeta para o exemplo de quem, não há muitos anos, nos governou com honestidade e temperança.

Lisboa não gosta de nós. Apenas quer o nosso dinheiro. O dos impostos e o que ganhamos com o nosso trabalho e modestamente amealhamos.

Estão a precisar de uma valente assobiadela, através de uma estrondosa abstenção em próximas eleições, a ver se abrem a vista de uma vez por todas.

2 – Espaço Miguel Torga. É espantosa a programação cultural deste espaço que a Câmara de Sabrosa construiu em homenagem a este grande escritor que hoje toda  a gente gosta de citar, nos seus discursos, mesmo os de fora d a região. Fica bem.

O que ali se passa devia envergonhar outras instituições culturais da região, designadamente as camarárias, mesmo de concelhos com outra categoria, em termos de população e de meios. Não cito nomes por razões óbvias e por não estar para me aborrecer por causa disso.

Decorreu na semana passada, naquele espaço, um Festival Literário que trouxe a Sabrosa numerosos escritores e conferencistas. Foram apresentados livros e falou-se, no essencial, de literatura.

Um dos conferencistas foi o Professor Sobrinho Simões, o qual, com a sua proverbial à vontade, brincou com coisas sérias, dando uma lição de sabedoria, conhecimento, atenção às coisas e à vida das pessoas, como poucos sabem fazer.

Falou do povo português, das suas doenças e dos escritores que sobre elas têm escrito. Acerca do que disse sobre o povo que somos e sobre os porquês que nos levam a ser assim, faltou apenas o apontar de pistas para se tentar corrigir o que está mal. Com certeza ficou para outra altura.

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