Caput!

Por: Caseiro Marques

Um simples vírus, invisível, colocou a humanidade inteira no seu devido lugar. O homem, que se julga deus, que pensa poder controlar tudo com base nas descobertas científicas, vê-se reduzido à sua condição de simples habitante do planeta, como qualquer outro ser vivo, por mais pequeno que ele seja. Não vale a pena escamotear as causas do momento que a humanidade inteira está a viver, como nunca alguém terá imaginado, pelo menos desta forma. A insignificância do homem, perante o mundo animal que não conhecemos, ficou bem demonstrada por todas as alterações que sofremos nas nossas vidas, que nos foram impostas e que aceitámos, em todo o mundo – repito todo o mundo, sem excepção.

E se o que estamos a sofrer e as condições atmosféricas que sentimos durante este final de Inverno e início de Primavera, a fazer lembrar tempos de há cinquenta e mais anos atrás, tiverem alguma coisa a ver com a redução do tráfego aéreo e de circulação automóvel que se verifica há dois meses! Sabia que estão a voar apenas cerca de 5.000 aviões por dia? E se lhe disser que normalmente estão no ar, por dia, à volta de 250.000 aviões, acredita? Esta diferença diz-nos alguma coisa.

Esta situação sugere-me algumas ideias que aqui deixo escritas. Se conseguimos, embora com algum sacrifício, estar estes dois meses sem sairmos de casa, porque não, os governos de todos os países do mundo imporem limitações às deslocações dos seus cidadãos! Por exemplo, cada pessoa não poder fazer mais do que uma viagem longa, para um país distante, em viagem turística por ano. Ou a mesma pessoa não poder visitar mais do que um país estrangeiro por ano? E os países adoptarem a política de encarecerem as viagens para quem se desloca apenas durante um fim de semana para visitar um qualquer país, nomeadamente aplicando taxas a quem visitar os seu país por períodos curtos, de fim de semana. Isto permitirá que possam ser utilizados meios de transporte menos poluentes. Não pode acontecer que, apenas porque alguém tem mais dinheiro de sobra, ganhe o direito de andar sempre no ar, fins de semana seguidos ou quase, a contribuir para poluir o planeta, que é de todos e não apenas dos que têm dinheiro. Os pobres, que se esforçam por sobreviver, também respiram o mesmo ar poluído.

Que coisa estúpida pensarão ou dirão algumas pessoas. Que sejam ideias estúpidas! Mas estúpido é andarmos a ser alertados para os riscos que a Terra corre se continuarmos a levar a vida que levamos de aumento do consumo dos recursos e não arrepiarmos caminho. A Terra não vai esperar por nós. A natureza está a reagir. Assim o dizem os cientistas, aventando teorias de que, por exemplo, a deflorestação aumenta a possibilidade do aparecimento de vírus que existem na natureza mas têm o seu habitat próprio e dele não saem se não se interferir com esse habitat.

A defesa do clima e do planeta onde vivemos deverá ser no futuro a nossa prioridade. A Terra é a nossa Casa Comum, como diz o papa Francisco na Laudato Sí. Vamos todos meter bem essa ideia na nossa cabeça?

A natureza não precisa de nós para nada. Nós é que precisamos da natureza. Se nos metemos com a natureza ela reage, como está a reagir. Sei que isto é duro de ouvir. Mas vão ver se não vai ser isto que vai acontecer. Vamos ter cada vez mais cataclismos como este que estamos a viver. Ou piores. Um dia alguma coisa vai ter de ser feita. A não ser que passemos todos a chamar-nos Bolsonaro, Trump e a sermos chineses, descuidados, e nessa altura … CAPUT!

1 – TAP. Por uma vez estou de acordo com o Ministro Nuno Santos. Apenas entendo que devia ter falado no assunto da TAP no lugar próprio e com mais respeito por quem há meia dúzia de anos veio ajudar a resolver a situação. Mas eu também não quero pagar mais para a TAP. Há estudos feitos. Há forma de resolver a questão da nossa soberania em termos de transportes aéreos com menores custos. Privatizaram a EDP e as águas. Nunca o deviam ter feito. E, para mim, essas duas privatizações parecem-me bem piores.

2 – TV fest. Um festival inventado, por quem tutela a Cultura, para realizar, juntamente com a RTP, e que custaria um milhão de euros, para ajudar os artistas. Haveria um conjunto de artistas convidados. Por sua vez, estes convidados escolheriam os outros artistas que actuariam a seguir a eles. Como era uma forma demasiado descarada de distribuir dinheiro pelos amigos, o festival abortou. A ministra desapareceu do mapa. Na TVI, Costa desculpou-se por se tratar de uma iniciativa “muito mal recebida”, mas dizendo que não “percebeu porquê”. Estava cego ou quer fazer de nós parvos. Olha que artista! Já vimos, na região, coisa igual.

3 – Missas. Uns mais iguais que outros. Com tanta exigência no confinamento, houve gente que foi dispensada. Os do futebol, porque ficam sem as receitas da Altice. E a CGTP, a central comunista. E lá vimos na Alameda a sua nóvel presidente, a arengar a costumeira repetição da cassete, de exigência de direitos e regalias dos seus apaniguados do costume. Marcelo e Costa a agradar a quem os apoia ou não os incomodam. E os comunistas da Intersindical dizem: “há sectores da nossa sociedade que procuram no surto epidémico a justificação para o regresso ao passado, para a reintrodução do totalitarismo, de mordaça e de unanimismo como única forma de pensar e de estar.” Esta é para rir agora ou para meter no congelador à espera de condições para o CHEGA subir ao poder? Deixem-me rir agora porque posso não estar cá quando o CHEGA chegar ao poder.

A hierarquia católica está a andar muito bem. Em vez de levar porrada, está em condições de poder dar o exemplo. O meu obrigado aos nossos Bispos!

4 – O que é que uma tal Fernanda Câncio, que conhecemos de outras cavalgadas, sabe e tem a ver com os dinheiros que a Igreja gere, para escrever como escreveu num artigo publicado num jornal de que ignoro o título. Por acaso alguma vez se preocupou com os milhões de pobres que os católicos, através de dezenas de milhares de instituições ajudam, aqui e em todo o mundo?

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