Avante, camarada, avante…

Por: Ribeiro Aires

A festa acabou! Vamos bater no ceguinho. Se já tanta gente bateu e ele se aguenta de pé é porque pode levar mais porrada. E se assim é, erguemos o nosso chicote e  vamos também «molhar a sopa». Dispensamos deste castigo  os comunistas  sensatos que não concordaram com  a realização desta Festa do Avante.

O partido comunista – assim em letras minúsculas porque tem mingado na última década –  é único. Único, em si, como qualquer entidade ou indivíduo. Mas quer ser único, no sentido de diferente, e como tal quer ser visto e tratado, ainda que goste de usar a capa CDU, onde se esconde, como outros parceiros europeus – Syriza (Grécia), Front de Gauche (França), Esquerda Unida (Espanha), entre outros.

Os comunistas gostam de ser mostrar duros, inflexíveis, resistentes, resilientes, forjados na luta contra o «inimigo» que será qualquer um que conteste os seus princípios inflexíveis. Será isto que o  partido de Jerónimo de Sousa  tem querido demonstrar, para dizer que está vivo e que vivo quer chegar  a 2021, ano do centenário da sua fundação.  Será uma coroa de glória. Então a Festa do Avante do próximo ano não será organizada para 100 mil, mas para 300 mil ou quinhentos mil, sabe-se lá. Ontem, hoje e amanhã,  o discurso dos «chefes» escreve-se sempre com as mesmas palavras e os militantes usam e usarão as mesmas vestes, o mesmo calçado, o mesmo penteado, salvo ao carecas. Isto é: nada muda, nada mudará, na luta contra o abominável capitalismo, contra a execrável sociedade burguesa. Isso. Nada muda.  Na mesa de cabeceira de cada comunista convicto está  “O Capital” e o “Manifesto do Partido Comunista”? Oh! não acreditem, tal como a generalidade dos cristãos não têm, nesta peça do quarto, uma Bíblia.  Jerónimo de Sousa repete os «versículos» todas as vezes que sobe ao palanque. As ideias entram pelo ouvido.  

O PCP quis ser único. Único a festejar. E argumentava e argumentará que  tudo era perseguição. Não. Esta  Festa do Avante  foi arrogância.  Queixou-se a Igreja de perseguição quando não foi celebrada a Páscoa, quando os seus templos se fecharam às eucaristias, quando o 13 de Maio e todas as festas e romarias de verão deixaram de se celebrar ou fazer? Não. Não abdicaram os restantes partidos de fazer a sua «rentrée»?  Mas o partido comunista quis ser único. Ele sente a morte, mesmo escondido na CDU. E neste estertor, neste menor valimento  sente-se acossado.  Foi em frente por arrogância. O que mostra  o carácter do partido que não suporta  que outros tenham opinião diferente da sua.  Ora isto leva-nos a dizer uma outra coisa grave: o partido comunista só se diz democrático porque não lhe deixam ser outra coisa (“Olhe que não”, diria Álvaro Cunhal). Insulto? Não. Eles sabem  que se pudessem ser outra coisa seriam. E o que ganha o partido comunista  com esta arrogância? Antipatia, como aquela que comerciantes almadenses  manifestaram.  Tudo correu bem? A questão não é essa. A questão é que, como partido, deu um mau exemplo à sociedade. E não dizemos mais.

Cem mil pessoas foi o número que o partido avançou para esta festa,  enfatizando a sua grandeza. Parece que este número é uma bazófia narcisista. Quase continuadamente ouvimos os seus dirigentes tocarem as trombetas da transparência.  Segundo a SIC e o Expresso do último sábado o  partido comunista  nunca declara  à  Entidade das Contas e Financiamentos Políticos  quantos bilhetes vende  neste evento. Por aquilo que revelam,  só ali têm ido nesta década cerca de 33 mil visitantes.  Parece pois haver gato escondido com rabo de fora, pois também este ano, pelas contas publicadas pelo Expresso só podiam estar 16.563 pessoas. Parece que estamos  elucidados quanto à vingindade comunista.

Em conclusão: o partido comunista não pensou no país, pensou em si. Pensar, pois, pensar. Veiga Simão dizia em 2004: “Os partidos não são escolas de pensamento, são escolas de interesses”. Assim o partido comunista português,  senhor Jerónimo de Sousa. Estejamos, pois, de Atalaia.

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