Avança, Adolfo

Por: Caseiro Marques

1 – Portugal precisa de uma cura radical de tudo o que é politicamente correcto e de jogadas políticas entre a chamada elite que apenas pensa em se manter no poder. Para tal, essa dita elite sujeita-se a tudo: virar a casaca é o mais comum; depois vem a bajulice; segue-se a negociata, mesmo no que aos votos diz respeito; a troca de favores; os bolos dados aos tolos. Vem ainda a canelada no amigo; e os golpes baixos; e os acordos por debaixo da mesa; as antecipações aos órgãos próprios dos partidos; a demagogia e a mentira; a aldrabice mais rasca; a ultrapassagem rasca de companheiros de partido.

A miserável infecção que se instalou há muito na nossa vida política a todos os níveis está a necessitar de um choque. Mas que seja um choque que lhes fique na lembrança.

Anda tanta gente enganada e outra a enganar, que seria interessante se o aparecimento de um candidato que fosse improvável vencedor, nas próximas eleições para a presidência da República, pusesse esta política putrefacta de pantanas. E isso só pode mesmo acontecer se o candidato não for daqueles que saem do carreirismo e muito menos do carneirismo. Ma sim, completamente fora da caixa. De qualquer tipo de caixa.

No final da semana passada, após o apoio claro, que só faltava ser anunciado, pois há muito se adivinhava, de António Costa a Marcelo, falou-se muito no nome de Adolfo Mesquita Nunes. Não vou estar aqui a fazer propaganda às suas qualidades, que bem evidenciou quando desempenhou o cargo de Secretário de Estado no Governo de Passos Coelho e nas muitas intervenções que tem feito.

Precisa de ser apoiado. Seria um bom candidato para a direita. Sim, para a direita. Não haja medo, nem vergonha de se falar na direita. E de se dizer que pertence à direita. O que vou vendo é muitos portugueses que andaram pelas esquerdas e que, agora, aos setenta anos, cansados de tanta mentira, de tanta pouca vergonha política, de tanta roubalheira, de tanta desfaçatez, de descalabros financeiros e da corrupção económica e da destruição dos valores fundamentais em que deve assentar qualquer sociedade sã e livre, que se foram instalando e instilando nas nossas vidas, estão a olhar para a direita como a única possibilidade de verem tudo mudar e seguirem um rumo diferente. Um rumo que ponha fim aos desmandos gerais em que Portugal caiu, ao contrário do que com esta pandemia se está a fazer crer, apenas através da boa comunicação social e da propaganda em que os nossos políticos sempre foram peritos.

2 – APOIO A PESSOAS CARENCIADAS. Nas horas de aperto, quando tudo parece ser dificuldades, as ajudas são sempre bem vindas. Portanto, o que vou escrever a seguir não constitui uma contestação ao que possa estar a ser realizado pela Câmara de Vila Real ou por qualquer outra instituição.

Foi divulgado na comunicação social que a Câmara de Vila Real apoiou 350 pessoas com a entrega de cabazes alimentares de bens de primeira necessidade. Ainda segundo as notícias veiculadas pela Câmara, pretendeu-se auxiliar quem perdeu rendimentos e quem mais precisa.

Repito, não está em causa o que qualquer entidade possa fazer para minorar as dificuldades pelas quais alguém esteja a passar nesta fase que atravessamos em que, efectivamente, também em Vila Real muitas famílias estão a ser afectadas.

Mas não há coisa pior do que fazer-se política com a necessidade e a miséria de quem quer que seja. E, infelizmente, a generalidade dos organismos da administração pública gostam de se aproveitar das necessidades dos pobres para fazerem umas flores e, demagogicamente, se apresentarem como os campeões da solidariedade, quando apenas estão a fazer o que lhes compete. E há instituições privadas que por vezes também alinham pelo mesmo diapasão.

Julgo saber que existe uma Comissão Local de Acção Social que reúne todas ou a maior parte das instituições de solidariedade social do concelho.

Onde pára essa Comissão? Reuniu alguma vez para os responsáveis dessas diferentes instituições se debruçarem sobre as necessidades da parte da população que possa estar a precisar de ajuda? Se não, é legítimo perguntar para que serve essa Comissão?

Estamos a falar das instituições que habitualmente, em diversas alturas do ano, se dedicam, por uma e outras razões, na maior parte dos casos de forma altruísta e sem qualquer interesse, a distribuir bens alimentares pelas famílias carenciadas: Câmara, Juntas de freguesia, Centros Sociais, Bombeiros, Escuteiros, Cruz Vermelha, Caritas, Paróquias, GNR, PSP, o Banco Alimentar e sabe-se lá mais quantas que até se desconhecem.

Mas existe algum tipo de coordenação na forma como essa ajuda é prestada? Pelo que vejo, a resposta é negativa. E, então, o que acontece é que os espertos, que os há em todo o lado e em todas as situações, recolhem bens de várias instituições. Outras pessoas não recebem apoio algum ou porque não há nada para lhes dar ou porque se acanham e têm vergonha de pedir. E estes são so que mais precisam, exactamente por isso.

Ora, é aqui que a Câmara, sem qualquer tipo de oportunismo político, ou outro organismo que coordene essa acção, pode e deve actuar no sentido de ter um levantamento permanente das necessidades das pessoas em todo concelho e prestar o seu apoio em plano de igualdade para todo os que dele necessitem. E ao longo de todo o período em que essas pessoas necessitem e não, pontualmente como parece ter acontecido. Como se as pessoas não necessitassem de comer todos os dias.

Já escrevi sobre este assunto várias vezes nos últimos anos, depois de ver o oportunismo de certas pessoas e o desperdício de bens que algumas recebem e que deitam fora ou distribuem por quem eventualmente até não necessita.

É tempo de se fazer alguma coisa nesse sentido.

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