Autarquia denuncia impactos do aterro de Andrães

A Câmara Municipal de Vila Real e as Juntas de Freguesia de Andrães e de Folhadela denunciaram, esta segunda-feira, problemas ambientais causados pela má gestão do aterro sanitário localizado em Mosteirô, freguesia de Andrães.

Segundo Jorge Alves, presidente da Junta de Freguesia de Andrães, nos últimos meses, “todos os dias” recebe queixas dos habitantes de Mosteirô e das localidades envolventes, por causa do mau-cheiro e da contaminação das linhas de água. “Este é um problema que já existe há vários anos e a aldeia de Mosteirô tem sofrido muito com isso, porque quando chove, há nevoeiro ou faz vento o mau-cheiro concentra-se ali”, explicou o presidente da junta. 

Devido às várias queixas, as Juntas de Freguesia de Folhadela e Andrães procederam a uma verificação no local, após a qual comunicaram à Câmara Municipal de Vila Real “um possível derrame de lixiviado proveniente do aterro sanitário, localizado na rede de águas pluviais da autoestrada A24, à entrada do acesso da EM313 – 1”. “Comprovada a gravidade do possível derrame de lixiviado, a Câmara Municipal de Vila Real efetuou a necessária e obrigatória denúncia às autoridades competentes (SEPNA, GNR, APA e CCDR-N)”, afirmou Rui Santos, autarca vila-realense, acrescentando que esta situação, aliada aos odores intensos, configuram graves incumprimentos da legislação ambiental a que a Resinorte, entidade gestora desta infraestrutura, está obrigada. 

Para além das queixas sobre os odores, a população também está preocupada com a contaminação das linhas de água devido às infiltrações de lixiviados, daí Rui Santos salientar que “importa reavaliar e corrigir toda a rede de águas pluviais e de lixiviados do aterro, por forma a ficar claramente garantido o seu funcionamento pleno, garantindo-se o cumprimento das normas ambientais a que uma instalação como esta está obrigada”. 

Freguesias e autarquia não podem intervir na gestão do aterro 

Durante a sua intervenção, o presidente da Câmara Municipal de Vila Real, Rui Santos, e o presidente da Junta de Freguesia de Andrães, Jorge Alves, frisaram que não podem intervir nesta problemática e que apenas podem fazer queixa às entidades responsáveis, uma vez que a gestão do aterro é privada e está entregue à Resinorte. “Como sempre afirmamos, a solução de gestão em que hoje se encontra este aterro, entregue à gestão privada da EGF, […] é fortemente penalizadora do interesse das populações locais. Esta situação foi conduzida sem a necessária clareza e transparência, ao ponto de as populações terem sido, ao longo de todos estes anos, fortemente penalizadas por uma gestão inadequada, sem que o município pudesse intervir”. 

Por causa disso, a autarquia exigiu às autoridades competentes e à Resinorte, entidade gestora, o cumprimento “escrupuloso” da legislação ambiental na gestão do aterro. 

CR

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