Autarcas pedem medidas “significativas” para o desenvolvimento do interior

Decorreu, nos passados dias 29 e 30 de novembro, o XXIV Congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses. Um encontro que reuniu os autarcas de todo o País para debater os temas da Organização do Estado, Modelo de Desenvolvimento do País e Financiamento Local e que contou com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do Primeiro Ministro, António Costa. 

Na sessão de abertura, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, avisou que começar já a pensar na regionalização, para avançar em 2022, é “colocar o carro à frente dos bois”, e pode ser “um erro irreversível”, até para quem defende o processo. “Não posso ter sido mais claro. Num tema que requer razão e ponderação, Portugal precisa de combater a pobreza e as desigualdades, nomeadamente territoriais. Mas precisa de o fazer com principio, meio e fim”, defendeu. 

Por sua vez, Rui Santos, Presidente da Câmara Municipal de Vila Real, na sua intervenção para apelar ao Presidente da República para ouvir os autarcas e ir ao encontro dos que procuram equilibrar o país através da regionalização.

“Temos ouvido os líderes dos dois principais partidos políticos portugueses, PS e PSD, justificando o atraso da regionalização pelas dúvidas que vossa excelência terá sobre a bondade ou utilidade da mesma. Senhor Presidente da República, ouça os autarcas sobre esta matéria. Avalie a eficácia e eficiência da gestão de proximidade que as autarquias fazem e projete-a ao nível regional”, afirmou Rui Santos, aconselhando o Presidente da República a analisara s diferenças profundas entre os subterritórios nacionais e a relacioná-las com a relevância e sucesso dos arquipélagos dos Açores e da Madeira.

No dia seguinte, dia 30, Rui Santos retomou, mais uma vez, a palavra para debater “as grandes diferenças entre o litoral e interior”, aquelas que “nos devem preocupar”, nomeadamente “as que se verificam ao nível do desenvolvimento, quer desenvolvimento social, quer desenvolvimento económico, passando naturalmente pelas questões demográficas, etárias, das acessibilidades, do emprego e da competitividade, entre outros”. 

Uma realidade que, segundo o autarca vila-realense, é inegável e que, quando associada a problemas de acessibilidade, ao desinvestimento por parte do estado central e à falta de políticas públicas descentralizadoras, “cria, no interior do país, o estigma de uma região desinteressante do ponto de vista económico, onde a atração de investimento é difícil e onde a geração de emprego e riqueza não é comparável à faixa litoral de Portugal”.

CR

Notícia completa na Edição nº 693, já nas bancas.  

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