Assim nos quer governar a esquerda fandanga

Por: Caseiro Marques

Notícia a meio da semana passada foi a Directiva do Ministério da Defesa que determinava que os militares tinham de começar a suar linguagem inclusiva, de acordo com a nova teoria da igualdade de género. Ou seja, não poderiam ser usados termos discriminatórios entre militares, mulheres e homens, nos documentos e comunicações, assim se eliminando “estereótipos existentes”. Pretendia-se eliminar termos que sendo utilizados no género masculino para designar pessoas de ambos os sexos, tornavam as “mulheres invisíveis na linguagem”.

A Directiva dava exemplos, numa extensa lista de termos que deveriam ser banidos na linguagem militar. Assim, por exemplo “sejam bem-vindos”, deve ser substituído por “boas vindas a todas as pessoas”; o Comandante” por “quem comanda”; “catástrofes provocadas pelo Homem” por “catástrofes de origem humana”; “o requerente” por “quem requer”; “as senhoras da limpeza” por “pessoal de limpeza”; Ministros salientaram a importância” por “foi salientada a importância”; “os políticos” por “classe política”; “obrigado” por ”agradecemos”. E por aí fora, numa extensa lista de termos que com toda a certeza dariam daqui para a frente origem a processos disciplinares se algum militar não os utilizasse devidamente.

Mas faria bem o Ministro repreender imediatamente quem escreveu a Directiva, com erros crassos de ortografia. Estarei a exagerar? Não sei! Já vi tanta coisa! E então, estas “coisas” quando saem da cabeça de certos iluminados de esquerda temos de ter cuidado com elas. Para a esquerda o que eles dizem é lei, não erram e os outros não podem falhar no cumprimento daquilo que pretendem impor, sob risco de serem castigados, no mínimo com termos amáveis, tais como fascista, reaccionário, sexista, etc. E aí eles já podem insultar à vontade.

Mas isso, para a esquerda, preocupada com a promoção da igualdade de género, não conta. O que interessa é defender e tentar convencer o povo que ter “pilinha” ou “passarinha” ou, talvez, nem uma coisa nem outra, é que é importante para a nossa felicidade. Mas pode a esquerda ter a certeza que os militares, sejam homens ou mulheres, sabem que, quando “as coisas” aquecem, as balas podem atingir a todos por igual. E é por isso que, quando na instrução se insultam os instruendos preparando-os psicologicamente para tudo o que poderão vir a encontrar, ninguém se preocupa se eles são tratados tendo em consideração o sexo.

As reacções a esta Directiva não se fizeram esperar e as redes sociais foram inundadas de comentários e artigos de opinião a ridicularizar esta ordem do Ministro Cravinho.

Houve mulheres militares, que se sentiram ofendidas com as disposições da Directiva.

Outros militares, principalmente oficiais e sargentos, na maioria na reforma ou reserva, que escreveram artigos violentíssimos contra a Directiva e o Ministro da Defesa.

Acossado, na noite de sexta-feira, foi divulgada uma nota do ministério a anular essa Directiva, alegadamente por “se tratar de um documento de trabalho que não evidencia um estado de maturação adequado, devem considerar-se anulados” os ofícios enviados às diferentes entidades militares obrigadas a dar cumprimento à referida Directiva. O Ministro não deve conhecer o significado do termo “maturação”. Mas isso que interessa!

Na comunicação social os ecos forma poucos. O Expresso nem uma linha dedicou ao assunto na sua edição em papel. Já estamos habituados a que este jornal, de que sou leitor indefectível desde a sua fundação, com um intervalo quando Marcelo foi seu Director, a que silencie certos assuntos. Eles lá sabem porquê!

O Sol publicou a notícia com grande destaque e chamada à primeira página.

Confesso que tinha escrito uma rábula sobre o assunto. Mas preferi reescrever o artigo desta semana, pois a maior parte das pessoas nem se apercebeu do que se passou. E seria penoso, para quem tem a paciência de me ler, ficar sem perceber o que me motivara a escrever um artigo algo trocista acerca da matéria em causa.

1 – Mafalda. A minha geração divertiu-se imenso com a banda desenhada da Mafalda e seus companheiros. Apenas me lembro de uma frase e não sei a que propósito. Mas ela um dia “disse”, como desculpa para qualquer peripécia menos bem sucedida. “Nós viemos depois!” Repito essa frase sempre que alguém fala no passado de modo estranho ou lembra acontecimentos passados que saem do normal. Morreu o seu autor, Quino, Joaquín Lavado, mas a Mafalda permanece na nossa memória.

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