As novas tecnologias, a verdade estropiada e os algoritmos

Opinião

Os jornais, nos tempos que correm, não deverão ser simples transmissores de notícias, de acontecimentos e opiniões. Como já  afirmava  Arthur Schopenhauer “ os jornais são os ponteiros de segundo no relógio da História” e nesse processo de “fazerem” história os periódicos estão confrontados, hoje em dia, com novos concorrentes como as novas tecnologias e as redes sociais que disputam notícias, observações,  comentários ,cuja proveniência não será a mais fidedigna e a mais imparcial e daí surgirem as designadas “fake news”. Não se sabe se os jornais terão os dias contados num futuro próximo com esta poderosa ascensão e intromissão das novas tecnologias e das redes sociais no quotidiano, mas, é um facto que os periódicos- para poderem sobreviver – terão de erigir-se como ágoras da reflexão ,ágoras do debate  onde se possam  esclarecer e discutir os problemas do nosso tempo trepidante a fim de se encontrar o caminho da verdade, da verosimilhança, da credibilidade dos factos e dos acontecimentos, em contraponto às “ fake news” que de tanto (re) percutidas se tornam “verdades” para os inocentes, para os ingénuos , para os incautos e para a imensa massa ignorante  que também voga pela internet e que não querem saber do rigor, da  imparcialidade , da objectividade do jornalismo de referência, jornalismo  este que já se vê acossado e de certa maneira manietado por interesses inconfessáveis. O que se vai tornando preocupante. A face do mundo nestes últimos anos mudou estonteantemente com  as  novas tecnologias e com o incremento da Inteligência Artificial que se prevê  que superará o homem em 2060, isto segundo previsões de cientistas mais apocalípticos que temem que a IA alcance um nível de desenvolvimento superior ao do homem e se revolte contra ele.  O sobressalto tecnológico que estamos vivendo abre preocupantes incertezas sobre a economia, a intimidade, as relações pessoais e o próprio futuro do ser humano. Esta revolução tecnológica que alguns já denominam como “ a grande disrupção exponencial”, nesta  catadupa de novidades que se sucedem cada vez mais rapidamente,  está, de facto, revolteando  a economia – com a sua constante imprevisibilidade -, a política e as próprias relações pessoais. A própria qualidade da democracia  – já de si desacreditada pela crescente corrupção que medra no seu seio  a que se juntam as inadmissíveis benesses que usufruem os políticos – está em risco neste orwellismo tecnológico  que vai permitindo que algoritmos ininteligíveis já começem a tutelar as nossas vidas. Sem que nos apercebamos.

António Cândido Miguéis

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