Alerta de um vírus com porta aberta

O novo coronavírus chegou a Portugal e com ele o alerta máximo das autoridades sanitárias para uma possível pandemia nacional. A questão fundamental está na prevenção, nas medidas de contenção da propagação do vírus, as mesmas que devem ser tomadas num surto gripal e que não são novidade: lavagem das mãos com frequência, não levar mãos à boca, nariz e olhos, manter uma distância mínima na proximidade com alguém que apresente sintomas, entre outros, poucos, cuidados. E não, não é máscara que evita a infecção ou que assume um papel preponderante na prevenção do contágio por quem não está afectado pelo novo Covid-19. Mas, as opiniões científicas, deixemo-las para quem percebe da ciência.

Nós, os cidadãos comuns, não sabemos bem o que é, a sua origem, possíveis mutações, nem tão pouco o que o diferencia de uma normal gripe. Mas sabemos que existem áreas no globo que estão com surtos graves deste novo vírus e que várias pessoas dessas áreas continuam a entrar, de forma aleatória e sem qualquer controlo, em Portugal. Diz o afectuoso Marcelo Rebelo de Sousa que não há necessidade alguma de fechar ou mesmo limitar fronteiras e dizem os políticos do politicamente correcto que estamos preparados para lidar com a situação. Desculpem a minha sinceridade, não estamos. O Hospital Curry Cabral, em Lisboa, dispõe de 14 camas de isolamento, num país onde se coloca o cenário de 21.000 infectados numa só semana. Os números vão avançando, dia após dia, com o alerta da DGS para uma possível pandemia e os governantes, bem como o afectuoso Marcelo, a pedirem para não se criar um alarmismo desnecessário. Bem sabemos que o novo Covid-19 não é incurável e que, normalmente, é combatido com sucesso pelo sistema imunológico do ser humano.Mas também sabemos que existem grupos de risco e que uma vida, com melhor ou pior sistema imunológico, é sempre uma vida. E, ao contrário do que se quer fazer crer nos últimos tempos em Portugal, a vida é o bem jurídico mais precioso de um ser humano, não é a morte nem o direito a morrer.

Assim que soaram os alarmes vindos da China (uma vez que por lá já se deveria saber desta crise de saúde há muito tempo), deveria o nosso Governo ter tomado medidas imediatas, aliás, como o fizeram outros governos europeus e cujo surto é hoje bem menor que o nosso. Como exemplo, e para não se dizer que friso apenas exemplos de governos de direita, destaco as medidas tomadas pela Rússia. Sim, este país tão comunista decidiu limitar o acesso nas suas fronteiras, existe um rigoroso controlo a quem visitar o país e mesmo relativamente aos seus cidadãos que regressam do estrangeiro.

Por cá, nós, os “porreiros” da Europa, continuamos de fronteiras abertas e sem qualquer controlo epidémico, sem a preocupação (que agora seria de facto de bem menor utilidade) de impedirmos que o surto se instalasse em Portugal. O Governo espera, pacientemente, que as pessoas se contaminem, se curem e os que morrerem são danos meramente colaterais de um surto que classificarão como inesperado, descontrolado e sem hipóteses de acção governativa eficaz. É sempre assim com esta gente, nunca há culpados: na tragédia dos incêndios, a culpa foi da natureza, em Tancos, foi da vigilância aos paióis, no Covid-19 é dos chineses e dos morcegos. O Governo não tem culpa de nada, nunca. Sacrifica um ministro ou outro quando a vergonha já excede o razoável e lá continua o Primeiro-Ministro, com a companhia do Presidente da República, nas suas sete quintas, sem geringonça, mas atapulhado com os deputados do Bloco, PAN, PCP e lá pelo meio a Joacine sem partido. Será preciso ser um expert na matéria das infecções virais para perceber que deveríamos ter um controlo aduaneiro no controlo da infecção?

O que conta mais: a nossa linda imagem de caloteiros simpáticos na Europa ou a protecção da saúde dos nossos concidadãos? E depois de estarmos com dezenas de casos de pessoas infectadas e com a previsão da insuficiência do trabalho meritório dos nossos bons profissionais de saúde (esses sim, expostos e sem culpa no cartório pelo sistema que os desrespeita dia após dia), não será que um governante qualquer, desses incapazes e politicamente incompetentes, poderia e deveria apresentar um plano concreto de controlo e erradicação do novo vírus, bastando para tal copiar o que tem sido feito noutros países como Macau? Pensávamos que depois da casa assaltada, trancas à porta. Mas no caso português, depois da casa assaltada, em vez das trancas, pomos só a placa “cuidado com o cão”.

Por: Albano Cunha

Partilhar:

Outros artigos:

Menu