AAUTAD critica redução da licença de ruído na “Caloirada aos Montes”

No âmbito da tradicional “Caloirada aos Montes”, que começa hoje e termina a 4 de novembro, a Associação Académica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (AAUTAD) solicitou a emissão da licença especial de ruído até às seis da manhã. Uma declaração que permite a realização de ruído durante a madrugada, geralmente, até a hora solicitada (6h), com limitações de intensidade. No entanto, a Câmara Municipal de Vila Real reduziu a licença especial de ruído em uma hora e condicionou-a à existência de meios de medição e limitação de ruído. Uma medida que, segundo a autarquia, veio responder ao desrespeito das normas definidas nas “barraquinhas”, que decorreram em setembro deste ano. “Lamentavelmente, e apesar de alertada para os cuidados que deveria ter com a intensidade do ruído durante a madrugada, a AAUTAD permitiu (durante a realização das “Barraquinhas”) que os níveis sonoros, logo na primeira noite, roçassem o intolerável, numa zona eminentemente residencial. Este facto motivou inúmeras queixas de cidadãos …”, explicou a Câmara Municipal vila-realense, em comunicado, acrescentando que, apesar da reunião promovida no dia seguinte com a AAUTAD, “alertando para o problema e reforçando a necessidade de respeitar o direito ao descanso dos Vila-realenses, (…) esta “apenas produziu efeito nessa noite, voltando os níveis de ruído para valores intoleráveis logo de seguida”.

A AAUTAD, através de comunicado, adianta que as festas da academia sempre se realizaram até às seis da manhã, horário pelo qual a associação se guiou para a organização do evento.

Segundo a associação estudantil, a redução duma hora e este aviso tardio vêm por “em causa a gestão do evento e a experiência proporcionada pelo mesmo”. “A AAUTAD não se revê nestas linhas orientadoras que surgem como limitações ao bom funcionamento de uma atividade histórica para a cidade. Os estudantes, o pulmão financeiro da cidade de Vila Real, aqueles que lhe dão vida e força, sentem-se injustiçados por lhes retirarem aquela que era apenas mais uma hora de diversão. A UTAD é Vila Real e também gostávamos que Vila Real fosse a UTAD”, defendeu a associação de estudantes da UTAD, frisando que tudo irá fazer, perante os moldes existentes e impostos, para assegurar a melhor experiência tanto para o público académico como para o público vila-realense, uma vez que, ainda que tenha tentado conversar com a autarquia para rever a licença, a tentativa averiguou-se sem sucesso.

Quanto ao assunto, a Câmara Municipal declarou que deve haver respeito entre as duas entidades e justificou essa consideração com o apoio que o município tem facultado à Associação Académica, cedendo o espaço gratuitamente, as grades de limitação, as barracas de pequena dimensão, os transportes, a infraestrutura elétrica, os recursos humanos que montam o recinto e o apoio financeiro de 20.531 euros. “A AAUTAD, em vez de assumir os seus próprios erros e falhas como causa desta consequência, prefere responsabilizar o Município. A AAUTAD representa os melhores interesses dos alunos da UTAD, mas o Município representa os de todos os cidadãos, incluindo os alunos da UTAD”, frisou o município, lamentado a tomada de posição da AAUTAD e esperando que a mesma não coloque em causa um historial de décadas de bom relacionamento.

Apesar das justificações e solicitações por parte da AAUTAD, a Câmara Municipal irá manter a redução de uma hora na autorização de emissão de ruído durante a “caloirada”.

Cláudia Richard

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