A inteligência artificial e os humanos

Por: Anabela Quelhas

Ainda parece um assunto distante de nós, mas, na verdade não é, e há várias actividades da nossa vida que envolvem o desempenho da Inteligência Artificial — a utilização dos telemóveis, o robot de cozinha, o corretor ortográfico, plataformas streaming,  gps, tradutores automáticos, banca digital, transportes, as luzes que se ligam automaticamente, alarmes, e muito mais. Os jovens utilizam-na diariamente, nos milhares de jogos eletrónicos.

A ciência e a tecnologia unem-se para dar continuidade a algo iniciado há 80 anos, que vai invadindo a nossa vida e alterando a estrutura da vida atual, na saúde, educação, desporto, robótica, economia, trabalho, agricultura e diversão. 

Se a Inteligência Artificial está cada vez mais presente na nossa vida, deveremos reflectir sobre ela, tentando encontrar, os benefícios e os constrangimentos, dela resultantes.

A ideia de que as máquinas seriam utilizadas para poupar o esforço humano, idealizando a sociedade perfeita para todos os seres humanos, mais justa, menos violenta, com o andar dos tempos, sabemos que nada disto acontece. Acontece e não acontece. De facto, a máquina alterou completamente o mundo laboral, mas para benefício só de alguns. A ilusão de que os trabalhadores, iriam trabalhar menos e ganhar mais, não possa de uma verdadeira utopia.

Actualmente as grandes preocupações com a Inteligência Artificial, ligam-se com a instabilidade laboral, com a diminuição dos pontos de trabalho, a diminuição do poder de compra das famílias, o aumento da pobreza a nível mundial. Certamente irão surgir novas profissões e novas oportunidades de trabalho para quem estiver preparado para este tipo de desafios, o que cria logo à partida uma desigualdade de oportunidades, porque uns estão preparados e outros não. Lembro que vivemos na charneira entre o mundo analógico e o digital e nem todos estarão preparados para estes novos desafios. 

O desenvolvimento tecnológico e o progresso socio- económico estão cada vez mais interligados e ditam os caminhos do futuro, quer agrade ou não. E como vai ser o futuro?

Sabemos que no futuro e até já no presente, a formação será constante e ao longo da vida… Ninguém pense que em algum momento da vida, não necessita aprender mais. Os pessimistas pensam que a Inteligência Artificial acabará com várias profissões, gerando desemprego e pobreza, os optimistas pensam que a sociedade terá capacidade em reagir, renovando-se com outras profissões. O grande problema é como se gere esta “revolução” e quem a gere. Será uma entidade ou várias entidades inatingíveis, incontroláveis, distantes e impessoais. Uma coisa é certa, a ignorância sempre afectará as pessoas, pela negativa e as deixará para trás. Preparem-se.

Resta o temor de alguns humanos:

— O que acontecerá quando um dia uma máquina replicar ou ultrapassa a inteligência humana?

Faz-me lembrar os criadores do Pinóquio, do Frankenstein e ainda a lenda de Golém…

Talvez eu seja limitada, mas parece-me esta situação impossível, por considerar o pensamento humano insuperável, já que este é bem mais do que uma sucessão de algoritmos. A nossa mente não é um computador, mas considerando essa hipótese, teremos que repensar a nossa posição no universo ou reduzir-nos à nossa insignificância.

Os teóricos da Inteligência Artificial continuam a pesquisar sobre a possibilidade de o pensamento humano poder ser integralmente mecanizado, unindo diversas áreas do conhecimento: filosofia, matemática, antropologia, linguística, psicologia, informática. Prepara-se o duelo entre titãs, os filósofos e os cientistas.

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