A derrota de Yuval Noah Harari

1 – No início deste mês de Março dei por terminada a leitura de um dos livros do israelita Yuval Harari, intitulado HOMO DEUS.

Como ele declarou recentemente, em entrevista que li algures, foi graças aos conhecimentos do seu marido, de nome Itzik, que os seus livros têm tido sucesso e têm sido divulgados no mundo inteiro. A leitura deste livro não é fácil, embora, pelas teorias que el desenvolve e pela relação histórica que vai estabelecendo ao longo do livro, acompanhando a evolução do homem, seja, por vezes, entusiasmante. Tenho de o reconhecer. Mas muitas das suas teorias não passam disso mesmo.

Entre muitas outras dessas teorias desenvolve longamente a questão relacionada com a alma que os crentes acreditam habitar em todos os homens. Ele nega tal crença, quando afirma que “quem compreende realmente a teoria da evolução, percebe que a alma não existe”.

Desenvolve o mesmo autor ainda a teoria de que sendo o homem dotado de curiosidade está a trabalhar para perceber cada vez melhor como funciona o universo e pror isso, com o tempo, o conjunto da humanidade vai tornar-se um paraíso tecnológico. E continua afirmando que, graças a essa característica do homem, que é a curiosidade, através do conhecimento um dia teremos o paraíso na terra. Teoria! Digo eu.

E continuando com este raciocínio afirma que um dia “os cientistas irão transformar-nos em deuses.” Ora, parece que apesar de ser judeu o senhor Harari nunca leu a Bíblia. Mas isso não é verdade. Ele leu o Livro Sagrado de Judeus e Cristãos muito bem. Sabe muito de história e de religiões. Penso que talvez por isso mesmo descobriu aqui um filão para explanar as suas teorias e com isso ganhar dinheiro. Depois, com os conhecimentos do marido foi-lhe fácil publicar e vender este e outros livros onde expõe estas teorias.

Pois não é que, de um momento para o outro, vem um sacana de um reles vírus, ao qual foi dado um nome pomposo, CORONA, que na minha opinião coloca em causa as teorias deste senhor. E os cientistas nada puderam, pelo menos para já, contra este maldito vírus. Mas ele, tenha vindo sabe-se lá de onde e tenha sido criado sabe-se lá por quem, veio repor alguma ordem neste mundo e dizer a toda a humanidade, a tal formada por homens, que são, ou serão deuses um dia, segundo a teoria do dito Yuval, que nem sempre a ciência tem explicação para tudo e muito menos remédio para todas as doenças, pelo menos do pé para a mão. E a verdade é que são os próprios cientistas a dizerem que este vírus veio para ficar. Veio para ficar e para matar. Ora, os desde não morrem. Em que ficamos, senhor Harari?

Muito terá de mudar nas nossas vidas, na forma como nos organizamos, como viajamos, como tratamos da natureza, do ar, das águas, das florestas, no fundo, de toda a criação. Esta está a reagir de uma forma tão violenta que nem Trump nem Bolsonaro, e outros iguais a estes, podem continuar a desmentir e a fazerem crer aos mais incautos que de facto eles e outros são deuses. Em vez do aparecimento de deuses humanos estamos a assistir à morte deles e nem os melhores cientistas, também eles humanos, conseguem salvá-los. Porque será?

2 – Esta quarentena tem as suas virtudes. Nos meios de comunicação, muitos têm sido os que falam nas mudanças de hábitos. E alguns referem as mudanças boas que podem vir a verificar-se nas nossas vidas: mais tempo para pensarmos, em vez de andarmos a correr, a viajar para todo o lado, muitas vezes sem destino, apenas porque há mais dinheiro a circular. Mais tempo para a família, que tem sido muito desprezada nas últimas décadas. Mais tempo para darmos atenção aos nossos filhos e netos, estando mais próximos, para lhes transmitirmos valores e princípios que também foram sendo arredados da educação que lhes estávamos a oferecer. Temos mais tempo para darmos mais valor aquilo que verdadeiramente tem valor e não perdermo-nos com bagatelas.

Uma coisa tenho como certa e da qual ainda não ouvi falar. Espero que no próximo mês de Dezembro possamos dizer que a natalidade aumentou por toda a Europa e, por conseguinte, também em Portugal. Quando lá chegarmos veremos se tenho razão. Mas a presença dos dois elementos do casal em casa proporciona outro tipo de relacionamento que a vida afadigada que levamos não nos permitia. Oxalá que ao menos a pandemia nos traga mais crianças. Talvez também isso nos faça olhar para avida de modo diferente.

3 – A quantidade de notícias falsas e de conselhos despropositados que nestes últimos tempos nos chegaram através das redes sociais e meios de comunicação fez-me pensar que deveria ser realizado um programa especificamente para desmascarar essas notícias falsas e corrigir os erros que todos os dias nos chegam. Seria um bom serviço prestado pelas televisões aos seus espectadores.

A. F. Caseiro Marques

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