A batalha dos cinco exércitos

Por: Joaquim Ribeiro Aires

A batalha dura há um mês, com bombardeamentos e  flagelações diárias  sobre as trincheiras, bunkers e campo aberto. Aos  hospitais  chegam  centenas de «feridos», sem que neles se vislumbre pinta de sangue. Não é gás tóxico, não, o que «queima» os pulmões. É outro mal que afecta quem se descuida, quem dele não se esconde. Dão-lhe o nome de covid19, coronavirus na génese.

 Neste estado de guerra, quantos  exércitos combatem o demónio invisível, como se fosse  extraterrestre ou viesse das profundidades da terra?

 Estranho exército, o quinto,  que para derrotar o inimigo se fecha em casa. Soldado, que sai à rua, teme. Nunca sabe se, pela frente, o amigo, o conhecido que saúda é o inimigo travestido. A arma é fechar a boca, não dizer nada. A pistola é «alcoolizar» ou  lavar as mãos depois de ter tocado em qualquer coisa. A espada é  deixar  os sapatos à entrada da porta de casa, como se fosse entrar em mesquita muçulmana, e despir-se  e tomar banho, depois de entrar nela. É neste espaço íntimo que este exército, prisioneiro,  luta.  Eis-nos a viver os dias de D. Afonso VI, em Sintra, gastando o chão de tantos passos dar, durante tantas horas, em tantos dias, levando-o à loucura. Melhor, está quem vive no campo, que pode confraternizar com os pinheiros – cautela é com a praga das lagartas -, levar as vacas e a cabritada ao pasto –  ou, no Douro, ir tratar das vinhas ou dos pomares verdejantes.

Um quarto  exército,  constituído pelos vigilantes, anda nas ruas a chamar a atenção, aos descuidados, para o perigo iminente.  A estes impõe disciplina, aconselhando que se vista o  «camuflado» para não se  sofrer uma emboscada mortífera,  em terreno plano,  prendendo os infractores, se for o caso. O terceiro exército  é constituído por muitas brigadas que, na retaguarda,  constituem a  resistência, contribuindo,  neste combate, com a logística para que a vitória, contra o «infiel»,  aconteça.  O segundo  testa,  socorre e  transporta vitimas. O primeiro exército, está na frente da batalha, enfrentando heroicamente todos os ataques:  brigadas de médicos e enfermeiros terçam as suas «armas» contra as investidas do inimigo, que apenas veem  no rosto arquejante, ansioso ou  no estertor das vitimas. A umas salvam a outras… a infame morte não lhes deixa alternativa. Este exército está exausto e não há outro que o substitua.

Eis os nossos dias. Resta-nos a esperança no arco iris.

**

Andrà Tutto Bene (Everything Will Be Alright)

As cidades estão vazias como nunca estiveram
Todo mundo tem medo do que sopra ao vento
Os planos que todos nós tínhamos
Todos foram pelo ralo
Nossas vidas foram adiadas
Mas eu sei que no final ficaremos bem
Estamos juntos como um

As pessoas estão alinhadas em supermercados
O silêncio está gritando o medo em seus corações
Não desista da sua fé,
Não deixe sua luz desaparecer
Juntos, vamos atravessar a escuridão destes dias

Dois ou três meses
Eles estão dizendo na TV
Esteja seguro em seus abrigos e em breve estaremos livres
Um dia nos lembraremos dos tempos mais difíceis
Quando a distância significava amor e nos mantinha vivos

Andrà tutto bene
Vai ficar tudo bem
Tudo ficará bem
Andrà tutto bene
Tout ira bien
Tudo ficará bem

Para médicos e enfermeiros
E todos aqueles que lutam
Os heróis que nos salvam
Arriscando suas vidas
Vamos dar a eles nosso amor, sim
Vamos gritar para o céu
Irmãos e irmãs
Estamos aqui ao seu lado

Cuide de nossos entes queridos
Seja forte e corajoso
Sua bondade é algo que não pode ser pago
E quando isso acabar, as memórias brilharão
Daqueles que faleceram e daqueles que ficaram na fila

Mais alguns meses
O âncora disse
Divididos lutamos, mas unidos estamos
Um dia nos lembraremos dos tempos mais difíceis
Quando a distância significava amor e nos mantinha vivos

Andrà tutto bene
Vai ficar tudo bem
Tudo ficará bem
Andrà tutto bene
Tout ira bien
Tudo ficará bem
Andrà tutto bene
Alles wird gut
Andrà tutto bene
Todo estar bien
Tudo ficará bem

*

Música de Flávio Cristovam

Partilhar:

Outros artigos:

Menu