A aposta das regiões na criação de emprego qualificado

Os recentes indicadores publicados pela PORDATA mostram que Portugal deve colocar na agenda política o problema da natalidade, uma prioridade face ao esvaziamento populacional generalizado do país.

Esta situação afeta cidades de média dimensão e com conhecidos fatores de atratividade, como seja a presença de instituições de ensino superior. No diagnóstico efetuado aquando da preparação do Portugal 2020, no interior Norte, Vila Real e Bragança eram as únicas cidades que aumentavam de população, em contraste com o crescente esvaziamento e envelhecimento demográfico do interior.

Contudo, os recentes dados da PORDATA revelam que, em 2008, a população estudantil nos estabelecimentos de ensino de Vila Real, desde o pré-escolar até ao universitário, era de 19 mil estudantes e, passados dez anos, diminuiu para cerca de 15 mil. Considera ainda uma redução do número de estudantes do ensino superior, embora em 2020 estejam matriculados na UTAD mais mil estudantes em relação aos números publicados.

Mas, em contraste, Vila Real regista um aumento considerável do número de empresas, um dado que abre boas perspetivas futuras. Efetivamente, hoje, mais do que nunca, o caminho a seguir pelas regiões passa por dinâmicas de atração de empresas, por forma a criar emprego qualificado, o que irá traduzir-se na fixação de pessoas. O futuro passa também por dinâmicas de internacionalização que atraiam população estrangeira, o que acontece em algumas cidades como Vila Real.

Assim, num momento em que está em preparação um plano de recuperação económica e social, é vital atender a dinâmicas que apostem mais na competitividade, na internacionalização e na qualificação das pessoas.

Indubitavelmente, o futuro das regiões passa pela criação de ecossistemas regionais de inovação, a exemplo das regiões mais competitivas da Europa, uma estratégia que deve envolver o poder político regional, o sistema empresarial e as instituições de ensino superior, mas envolvendo sempre a sociedade.

O futuro passa também pela aposta no conhecimento e, para tal, são necessárias instituições de ensino superior fortes, dinâmicas e inseridas em redes locais e globais.

As regiões que não apostem no conhecimento e na internacionalização perderão competitividade e, certamente, ficarão mais vulneráveis ao aparecimento de nacionalismos e de exclusão social.

Fontainhas Fernandes, Reitor da UTAD

Partilhar:

Outros artigos:

Menu