Uma Nova Agenda para a Floresta

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Um dos assuntos que chamam a atenção da comunicação social e dos portugueses no verão é o flagelo dos incêndios, principalmente quando colocam em risco as populações. Em termos médios, cerca de 2,2% da floresta nacional arde anualmente em Portugal, o valor mais elevado da Europa e um dos mais elevados do Mundo. Os investigadores da área, num comunicado divulgado recentemente, consideram que os elevados níveis de precipitação registados no inverno e primavera atrasaram a época de fogos e têm limitado até ao momento a capacidade de propagação dos incêndios. Contudo, a previsão de um verão longo e seco poderá anular esse efeito e, uma vez mais, resultar numa elevada área ardida.

Deste modo, está em causa a sustentabilidade da Floresta, assunto que mereceu alerta pelos investigadores da UTAD que trabalham nesta área. A correção de políticas erradas do passado implica que o sistema científico não fique alheio a esta agenda nacional e deve, obrigatoriamente, contrariar a situação reinante.

As Universidades enquanto instituições preocupadas com os problemas sociais e ambientais têm o dever de alertar os decisores políticos e a sociedade sobre a delapidação de recursos naturais da floresta e do ecossistema, mas também do clima e de bens tão importantes como a água e o solo.

Este cenário exige uma agenda para a floresta que envolva as questões do ordenamento, da gestão florestal e da prevenção de incêndios. As políticas públicas têm sido focalizadas no combate aos incêndios, representando mais de 90% do investimento total, e na proteção civil, descurando as questões essenciais da floresta. Os investigadores consideram também que não é possível reduzir efetivamente a área ardida, sem uma forte intervenção e de forma continuada no espaço florestal.

A agenda da floresta exige ainda mais ambição na utilização dos fundos estruturais do novo ciclo de programação Portugal 2020, podendo potenciar novas oportunidades às regiões menos desenvolvidas ou com especiais dificuldades estruturais e, logicamente, com maiores necessidades de apoio.

Mas esta agenda deve envolver também dinâmicas que passam pela formação qualificada e investigação. O papel da engenharia florestal é crucial na definição e implementação de modelos de silvicultura preventiva, que permitam tornar a floresta mais resistente e resiliente ao fogo. A formação em engenharia florestal tem tido uma reduzida procura pelos jovens, não obstante a empregabilidade ser considerável. Com efeito, menos de duas dezenas de licenciados se formam em cada ano, um número claramente escasso para dar resposta à necessidade de políticas de ordenamento florestal e da transmissão do conhecimento.

 

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