Um novo rumo para a TAP

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O Conselho Regional do Norte divulgou uma posição clara sobre a importância de potenciar a plataforma logística do aeroporto Sá Carneiro. A recente polémica e pouco racional decisão da TAP não é uma mera preocupação bairrista ou eleitoralista do presidente da câmara do Porto, como alguns analistas com tiques centralistas erradamente quiseram transparecer. Trata-se de uma decisão que vai ter um impacto negativo na competitividade económica do Norte e do país.

A economia do Norte constitui a força motriz do país, assumindo maior impacto em tempos de crise. Desde 2008 que a balança comercial do Norte é superavitária, sendo a taxa de cobertura das importações pelas exportações sempre superior a 140%. A anunciada decisão da TAP vai influenciar negativamente os indicadores positivos de turismo de todo o Norte, a vocação exportadora da região e, consequentemente, a competitividade e dinâmica de internacionalização das empresas, bem como das próprias entidades geradoras de conhecimento, como é o caso das Universidades.

Os números amplamente divulgados sobre as taxas de ocupação dos voos em causa comprovam que a decisão anunciada pela TAP de retirar o Norte de importantes rotas europeias é uma decisão com objetivos, ainda que não declarados, de uma contínua secundarização do aeroporto Sá Carneiro. A TAP está a desinvestir do aeroporto Sá Carneiro, mantendo uma orientação que quer colocar o Norte à margem da sua estratégia. Também é conhecido, que foi pensado um plano para disputar parte do seu mercado da Galiza, criando um voo diário entre Vigo e Lisboa.

A posição manifestada pelos representantes dos autarcas, dos empresários e do sistema científico reafirma a importância estratégica do aeroporto Sá Carneiro, enquanto plataforma fundamental para a internacionalização da economia regional, no apoio ao crescimento do turismo e às exportações da região. Importa reiterar que é o Norte que, em tempos de crise, constitui o grande impulsionador da retoma económica.

A aposta na internacionalização do Norte é crucial para consolidar e potenciar a utilização dos fundos estruturais em inovação, ao serviço da competitividade das empresas com conhecida vocação exportadora. O Norte precisa de continuar a aposta no desenvolvimento de programas estratégicos de investigação, de desenvolvimento e inovação que promovam o aumento do valor acrescentado dos produtos exportadores. Esta orientação exige, obrigatoriamente, valorizar dinâmicas de internacionalização, que passam pela afirmação do aeroporto Sá Carneiro.

Do ponto de vista estratégico do país, esta decisão da TAP é tanto mais estranha quanto é do conhecimento público que o aeroporto de Lisboa tende para o esgotamento da sua capacidade. Por outro lado, o aeroporto do Norte de Portugal, tal como o de Lisboa, foi objeto de enorme investimento público, pago pelos contribuintes, de forma direta ou indireta. Pessoalmente, não posso acreditar que as decisões tomadas no presente, não são suportadas numa lógica de utilização racional dos recursos existentes, mas antes no sentido de justificarem investimentos futuros que coloquem em causa a viabilidade de outros investimentos. A anunciada decisão é inibidora da ambicionada coesão nacional e de convergência, sob pena de se colocar em causa a continuidade da TAP, enquanto “companhia bandeira”.

  • Reitor da UTAD

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