Que Futuro para o Norte?

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A atualidade politica tem sido marcada por uma conhecida complexidade da envolvente global, caracterizada por uma instável conjuntura europeia e nacional que exigem reflexão, mesmo ao nível regional. Numa altura em que se avizinham mudanças na liderança da CCDR-N, por razões públicas conhecidas, a região Norte volta a encontrar-se numa nova encruzilhada, sendo o momento oportuno repensar a estratégia de desenvolvimento.

Os indicadores socioeconómicos mostram que, no seu conjunto, o Norte é uma região policêntrica marcada por fenómenos de crescente metropolitanização, que contrastam com o agravamento do esvaziamento dos territórios de baixa densidade. Os dados do índice sintético de desenvolvimento regional relativos a 2014, revelados pelo Instituto Nacional de Estatística, mostram que as regiões de Lisboa, Porto, Alto Minho e Aveiro são as mais desenvolvidas, confirmando os mencionados fenómenos de litoralização. Em contraste, o Alto Tâmega, o Douro, o Tâmega e Sousa apresentam indicadores mais débeis.

Este dualismo estrutural tem sido acentuado, em que a região urbana metropolitana contrasta com as áreas rurais, muito marcadas pelo envelhecimento e o êxodo populacional. Neste quadro, exige repensar o Futuro do Norte.

O Futuro passa por apostar na fixação de massa crítica científica e tecnológica instalada nos domínios da estratégia de especialização inteligente. Desta forma, será possível potenciar a conhecida tradição industrial e a reconhecida vocação exportadora.

O Futuro do Norte convoca também ao desenvolvimento de dinâmicas que reforcem as entidades regionais do sistema científico e tecnológico, envolvendo programas integrados de I&D. Estes programas devem estar alinhados com as necessidades de formação avançada e com as questões da economia do território, ultrapassando o insuficiente investimento empresarial em inovação. Esta linha de orientação é crucial para recentrar a região numa trajetória de crescimento.

O Futuro do Norte exige uma liderança lúcida, pró-ativa e conhecedora da complexidade, das fraquezas, bem como das oportunidades do território no seu todo. Caso contrário, assume o risco de correr de forma isolada e agravar a divisão da região, com potencial efeito nefasto no desenvolvimento do País, como um todo mais dinâmico e coeso.

 

 

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