Pérolas e diamantes: o exemplo, o respeito e a tradição

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Estrabão, já no início do século I d. C., referindo-se aos Belgas, mas pensando com toda a certeza nos Lusitanos, escreveu que “toda a raça a que agora chamam «Gálica» é muito belicosa… mas muito simples. E, por isso, se são provocados, juntam-se de imediato para o combate, abertamente e sem circunspeção, pelo que quem os queira derrotar por meio de estratagemas consegue vencê-los com facilidade.”

Por esses tempos, César, diz Suetónio, não se importava com o “estilo de vida nem riqueza dos seus homens, mas apenas com a sua coragem”, por isso construiu um império e chegou a ser seu imperador.
Tinha aprendido com as nomeações dos seus tribunos e perfeitos, que o haviam desiludido tempos atrás. Nomeações decididas tendo como base as recomendações e os favores.
Na época de César eram raros os filhos dos senadores que não sabiam latim ou grego. Quanto ao grego, o ensino ficou provavelmente a dever-se a um escravo de origem helénica (paedagogus), que tratava das crianças.
As figuras passadas eram enfatizadas nas aulas devido ao seu orgulho em serem romanas.
As crianças aprendiam a admirar as excecionais qualidades romanas, tais como a dignitas, pietas e virtus, termos que possuíam uma ressonância própria e muito mais poderosa do que o seu equivalente atual, dignidade, piedade e virtude.
Dignitas era o comportamento despretensioso que patenteava claramente a importância e responsabilidade de um homem, impondo dessa forma o respeito.
Tal comportamento era importante para qualquer cidadão romano, sobretudo se ele pertencia à aristocracia e ainda mais se ocupasse um cargo de magistratura.
Naquela altura as elites davam o exemplo ao povo. Atualmente, as nossas elites tendem a seguir os maus exemplos do povo.
A pietas abarcava não apenas o mero respeito pelos deuses mas também pela família e parentes, pelas leis e tradições da República.
A virtus possuía fortes tendências militares, englobando não apenas a coragem física mas também a confiança, a coragem moral e as qualidades que se exigiam tanto aos soldados como aos comandantes.
Os comandantes eram os primeiros a morrer liderando as suas legiões.
Atualmente contam-se as verdades aos conhecidos lá de fora, mantendo os que nos são próximos na ignorância.
Os líderes invetivam-nos, condenam-nos à sua própria biografia. São por vezes cosmopolitas e mundanos como Mr. Hyde, e, outras vezes, modestos como Mr. Jeckyll. E até jogam connosco à bisca lambida.
Procedem como os agricultores relativamente aos patos do curral, cortam-lhes as asas para que não levantem voo quando os outros os chamam nas suas peregrinações para norte.
Sozinhos, não sabemos para onde nos dirigirmos. E quando não sabemos para onde ir, nenhum caminho serve.
Prometem sempre qualquer coisa que parece que vai chegar e nunca mais chega. São apenas remedeios, preparativos para qualquer coisa que está sempre uns passos mais à frente.
Pressentimos a felicidade. Mas quando pensamos que está para chegar, ela passa ao lado, escapa-se, desaparece.
Todas as cores partidárias fazem parte da mesma nódoa.
Contam-nos sempre a mesma história. Dizem-nos que é verdadeira. Nós sabemos que é mentira.
A desilusão é fictícia.
Real só mesmo a tristeza.

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