Periscópio: Vila Real mais perto do litoral

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O título deste texto não é para gozar, nem se trata de dizer que Vila Real está a caminho do Porto ou coisa que o valha. Mas vamos por partes. Em primeiro lugar, acho que Vila Real está mais próxima do litoral, em termos culturais.

A bênção e inauguração do órgão sinfónico da Sé, no passado dia 20, dotaram esta Catedral de um instrumento valiosíssimo, em termos argentários, mas valioso, de um modo especial, no que à cultura e concretamente à música diz respeito.

Vila Real pode dizer-se que, no dia 20 de Abril, data do aniversário da criação da diocese, ganhou mais um aniversário para comemorar.

Sem exageros, eu diria que em termos culturais e não só, doravante poderemos falar no tempo antes desta data e num depois de 20 de Abril de 2016.

A Sé de Vila Real encheu-se de crentes e amantes da música sacra e profana para órgão, muitos vindos de fora, bem longe, como por exemplo do Porto e Coimbra. E a razão foi tão só a de poderem assistir a este acto de enorme significado para a cidade e a região.

Uma vez por mês haverá concertos na Sé, com a presença de diferentes organistas, para além do organista titular, responsável pela programação.

Teremos a possibilidade de escutar as obras-primas da música clássica e não só, para órgão, escrita pelos maiores compositores de sempre. E os conhecimentos do organista titular não deixarão de o levar a trazer à cidade os maiores intérpretes da Europa e do mundo.

E das regiões vizinhas, designadamente do Porto e outras cidades do litoral virão com toda a certeza os amantes deste tipo de interpretação musical. Por isso afirmo que Vila Real ficou mais próxima do litoral, mais próxima da região onde o dinheiro abunda mais, mas também a cultura ou pelo menos os meios de exprimir a cultura, neste caso através da música.

Mas há mais um aspecto que nos vai aproximar brevemente do litoral que será a próxima inauguração do túnel do Marão.

E esta obra vai também contribuir para este aproximar de Vila Real ao litoral. Será muito mais fácil viajar a té Vila Real, vindo da beira-mar, por parte dos amantes da música. E esse aspecto representa também uma enorme vantagem para este equipamento musical, que terá de ser rentabilizado.

Será mais fácil e mais seguro subir ao Marão e chegar a Vila Real, assistir a um concerto e regressar ao Porto em menos de uma hora. E tenho a certeza que se de Vila Real antes íamos, e ainda vamos, à Casa da Música, ao Porto, para assistirmos a um concerto ou a um outro qualquer espectáculo, agora serão os habitantes do litoral que serão convidados a vir até nós.

Apenas teremos de nos preocupar com a programação, que terá de ser rica e variada. Isto para além de haver a necessidade de trazer a Vila Real organistas de renome. E isso não será difícil, desde que as entidades oficiais entendam, de uma vez por todas, que a aposta neste tipo de eventos só traz benefícios à cidade e á região. Todos ganharemos com isso. Muitos não o entenderam assim. Infelizmente.

Os planos começam a bater certo. Começa a haver motivos para vir até Vila Real. Porque até agora, sinceramente, o que é que Vila Real tinha que outras cidades não tivessem para chamar pessoas a visitar-nos? Outras cidades gostariam de ter um órgão como o Vila Real. Mas não têm.

Uma palavra final para o apoio que a Câmara de Vila Real deu a esta iniciativa, ciente de que só temos a ganhar com esta atitude, como agora se diz, proactiva, no sentido de criar sinergias que redundem em benefício de Vila Real, da região e das gentes que aqui vivem. Uma palavra também para o grande impulsionador desta iniciativa, Mons. Agostinho Borges, sem cujo activismo e disponibilidade, aliados a uma visão estratégica bem delineada, talvez este projecto não se tivesse concretizado.

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