Periscópio: Velhacararias

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Homem pequenino, velhaco ou bailarino. É um ditado muito usado. Passe o exagero da expressão, pois nem sempre é assim, todavia vamos repetindo este adágio, com muita frequência. Até porque velhacos e bailarinos há-os por todo o lado e com estaturas físicas e morais variadas, como veremos abaixo e é da experiência comum.

Passos Coelho, como Primeiro-ministro e mesmo como Presidente do PSD, fez muita asneira. Quem as não faz?

Estou à vontade para escrever o que aqui escrevo, porque abandonei a militância no PSD, há uns três anos atrás. Militância apenas formal, pois desde há perto de vinte anos não entrava a na sede do PSD de Vila Real, nem participei mais em qualquer actividade partidária a nível distrital ou nacional. Tudo por razões que a maioria dos meus leitores bem conhece e por isso me dispenso de estar agora a referir.

Direi apenas o seguinte. Fi-lo por ter razões de queixa e ter sido dada uma resposta de Passos Coelho, num plenário do PSD realizado no hotel Miracorgo, a pergunta minha sobre o estado miserável em que o PSD se encontrava – e encontra como se vê e os actuais militantes vão sentindo. Ele, Passos Coelho, resumiu esses problemas a desacordos entre mim e o anterior presidente da Câmara, Dr Manuel Martins. Nada mais errado. Resposta inadequada e simplista, a fugir à questão e que me levou a sair porta fora e a pedir a minha desvinculação do PSD. Devo apenas acrescentar que nunca falei com Passos Coelho. Nem nada mais me move contra ou a seu favor. Portanto, o meu interesse naquilo que escrevo é zero.

Mas, indo ao tema deste artigo, é revoltante, vergonhoso o ataque a que Passos Coelho tem estado a ser sujeito por parte dos barões do PSD. Por alguns desde que iniciou funções governativas e por outros, os que agora se juntaram ao coro desalinhado, que constituem a tralha social-democrata.

Nunca se viu coisa igual. E se as críticas já vinham de muito atrás, nos tempos de Marcelo comentador, agora atingiram um nível inqualificável. Pensemos apenas naquilo que tem dito Manuela Ferreira Leite, Silva Peneda, com o comentador Marques Mendes à cabeça. O altifalante de Marcelo. Aquilo que ele tem vindo a fazer, todas as semanas, é queimar Passos Coelho em lume brando, mas as suas críticas ferozes das últimas semanas raiam o ódio, a inveja e a desfaçatez completa.

De Manuela Leite já se sabe o que fez e o que tem feito e dito desde há muito.

De Silva Peneda, o ás da concertação social, o arauto da democracia e do diálogo social, o que se sabe é que foi para o governo pela mão de Cavaco Silva e agarrou-se à política como uma lapa. Nunca mais fez nada na vida, ao ponto, diz-se, de ter chorado quando Cavaco perdeu as eleições por não saber, terá confessado a uns amigos, o que iria fazer em seguida. Lá lhe arranjaram um tachito, como se todos os que passam pela vida política não devessem voltar aos seus cargos, aos seus empregos, depois de prestarem serviço ao país, como felizmente acontece com alguns, poucos. Foi bailando de cargo em cargo até chegar aos dias de hoje.

O pequeno Marques Mendes, advogado, que poucas vezes terá subido as escadas dos tribunais, depois de passar pelos governos de Cavaco, tem andado a passarinhar por aqui e por além, armado em empresário e principalmente em consultor ou assessor de escritório de advocacia. Todos sabemos o que fazem esses assessores de escritórios de advocacia. Existem em todos os partidos. Deixam as suas funções e ganham bom dinheiro a encaminhar assuntos para os eus escritórios de origem, onde são tratados assuntos de amigos e compadres da política na maior parte das vezes problemas arranjados pela sua acção governativa, en quanto estiveram na vida política.

Critica-se Passos Coelho pela sua incoerência no caso da TSU (Taxa Social Única). Mas pergunta-se: conhecem algum político coerente? Alguma vez viram algum dos nossos políticos fazer o que defendeu nas campanhas eleitorais? Não mudaram todos de opinião e de prática? Não fizeram todos o que as circunstâncias e os buracos deixados pelos anteriores lhes permitiram fazer?

Então porque acusar Passos Coelho de incoerência por aparentemente ter mudado de opinião relativamente à TSU?

Acusa-se deste modo Passos Coelho de pôr o interesse partidário e pessoal acima do interesse nacional.

E pergunto se os papéis estivessem trocados, isto é, se Costa estivesse no lugar de Passos Coelho se este não mudaria de opinião também e se voltaria a sua atenção para o interesse nacional e não para oi seu interesse pessoal.

Assim sendo pergunto se o que os seus lhe estão a fazer não é uma velhacaria!

Vila Real, 3 de Janeiro de 2017

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