Periscópio: Um presidente popularucho ou Marcelo o abono das esquerdas

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1 – Como quem me lê deve estar lembrado, escrevi aqui que não votei em Marcelo. Não encaixo o homem. Não me diz nada. Sempre o considerei um fala-barato, desde os primeiros tempos do Expresso, quando ele criava um facto e no mesmo texto esvaziava assunto como se faz a um balão de ar.

Cheguei a deixar de comprar aquele jornal, durante anos, por causa dele, para não aturar as suas diatribes.
Mas ele não mudou. E eu também não. Ele está no seu direito e eu estou no meu.

Não votei nele no exercício pleno dos meus direitos de cidadania, como outros fizeram votando nele e revendo-se no papel que anda a representar por este país e pelo mundo fora. O papel de um presidente balofo, inchado, populista, e como alguém escreveu na semana passada, por vezes a fazer de bobo. E a esquerda gosta. Claro! Então não havia de gostar! E também gosta a “nobreza” que o rodeia.

Lembram-se quando aqui há uns dois meses os jornais começaram a publicar textos de vários opinadores de esquerda, a criticarem o presidente pelas suas tiradas, as suas intervenções diárias, as suas críticas, a torto e a direito, e muitas vezes a despropósito ou a propósito de nada?
Eu também o critiquei e continuo a criticar. Basta aparecer-lhe um microfone à frente e sai faladura. Ele não resiste a um comentário, exercício que preparou durante dezenas de anos. Ma agora é presidente e não comentador. Fica-lhe mal. Tem atitudes que nem a um presidente de Câmara ficam bem. Mas a esquerda gosta. Costa também gosta. Pudera!

Pois muita gente o criticou por continuar aparentemente e confundir o seu cargo de presidente coma a sua anterior função de comentador.

Mas reparem na mudança. Agora anda toda a gente muito calada. Até parece que a esquerda combinou nada mais dizer. É que enquanto ele fala, o povo não se preocupa com os seus verdadeiros problemas. Ele é o mágico que tudo promete, tudo acalma, tudo anima, nem que para isso tenha de pegar num grande bombo e esperar que a corte aplauda. E a corte aplaude.

Marcelo embarcou na euforia da conquista do Campeonato da Europa, quando à mesma hora um grave acidente punha fim à vida a três militares no cumprimento do seu dever. Não se passou nada. Marcelo ignorou. O Governo calou. O povo nem se apercebeu. Nem quis saber nada sobre o assunto. Depois, num acto de puro e miserável populismo, gozando com esses campeões e com o povo, distribuiu medalhas de papel aos jogadores da selecção. E não distribuiu medalhas no 10 de Junho, mas agora entrega medalhas a qualquer ganhador. Um dia receberá medalha o campeão de torneio de bisca lambida de Alcafozes.

2 – Durão Barroso. Podia aceitar o lugar no banco Goldman Sachs? Claro que podia. Mas não devia ter aceite. Bem prega frei Tomás. E Passos Coelho também não esteve muito bem. Defendeu-o com unhas e dentes numa declaração muito longa e demasiado cheia de comprometimento. Mas Passos pelo menos prepara o caminho para quando também ele for chamado para um alto cargo, poder dizer que sempre pensou assim acerca de tais convites.

Mas a conclusão a que chegamos é que esta gente, que não seria ninguém se não fosse a política, nunca alcançaria estes cargos se não tivessem desempenhado funções políticas, acaba por dar razão àqueles que os criticam por estarem ao serviço do grande capital, que nos tempos que correm é quem manda no mundo. Em Portugal e em todo o mundo. Bem queria eu acreditar que esta gente é chamada pelos banqueiros pela sua competência, pela sua capacidade para resolver problemas. Mas todos sabemos que não é assim. Ninguém na sua boa fé pode acreditar que as razões passam por aí. Eles são chamados pela sua disponibilidade para influenciarem decisões políticas. Na alta política. Não nas questões comezinhas com que a maioria de nós se compraz.

Pois que dotes especiais possui Barroso para ser convidado para ocupar aquele alto cargo numa das mais poderosas instituições financeiras mundiais? Que grandes problemas resolveu ele enquanto esteve à frente da Comissão Europeia? Que ideia original apresentou Barroso enquanto esteve na CE? Dizem alguns que ainda a deixou pior do que estava quando ele entrou.

NOTA: Como imaginam, depois do que aconteceu em Nice, apetecia-me esquecer o texto acima e escrever sobre mais este atentado. Mas que iria eu acrescentar àquilo que já aqui escrevi tanta e tanta vez sobre assuntos idênticos?

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