Periscópio: Um ministro à defesa e azarado

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Não sei se o ministro da Defesa, José Alberto Azeredo Lopes, cumpriu serviço militar. Nascido em 1961, o mais certo é que já seja daquela geração que apenas cumpriu o serviço militar se quis.
Sabe-se que é professor de Direito na Universidade Católica, que presidiu à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e que depois de deixar esta entidade, exerceu as funções de chefe de Gabinete do presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.
Foi a esse lugar que António Costa o foi buscar para colocar à frente da Defesa Nacional.
Desconheço os atributos que o senhor possua para ser convidado para tão importante lugar no Governo da República. A defesa de um país constitui um dos pilares essenciais para a estabilidade, a independência e credibilidade internacional, bem mais importante do que a economia ou até qualquer das outras áreas da governação.
Por isso, a defesa não pode ser entregue a quem não seja portador de certos atributos, muito especiais, dada a especificidade dos problemas que se colocam a quem tem de decidir sobre mil e um problemas, requerendo-se, ainda por cima e de um modo especial, muito tacto e bom senso para saber lidar com os militares, nas mais diversas vertentes.
Não me parece que este ministro esteja à altura das funções que lhe foram confiadas.
A sua falta de aprumo, que entre os militares é condição e exigência primeira, revelada pelo ministro quando se apresentou numa parada na qual lhe foram prestadas as usuais honras militares, deu imediatamente um sinal da sua impreparação e falta de tacto para lidar com a tropa.
O ministro apresentou-se a passar revista às tropas, desgravatado, descomposto, perante militares garbosos, alinhados, bem fardados, cuidadosamente apresentados.
Ele com certeza não sabe, mas quem passa revista às tropas pode dirigir-se aos militares, saudando-os e até apreciando o aprumo e corrigindo algo que não entenda não estar bem. Na prática ninguém o faz. Mas imagine-se que desde o coronel ao major, aos capitães, sargentos e soldados que integram uma formatura para prestar honras militares, se apresentam sem gravata ou sem lenço, com as botas sujas e cada um a marchar para seu lado… que autoridade teria um ministro desgravatado para, com o poder que tem, chamar a atenção do comandante da força militar por se apresentarem naquele estado? Isto já bastaria, para quem preza esse aprumo militar, ficar com uma ideia negativa do ministro.
Agora veio acrescentar ao seu currículo como ministro a demissão do Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME). E ainda vamos ver se as coisas ficam por aqui. Razão: a ingerência do ministro na cadeia de comando do Exército, quando exigiu ao CEME, e por portas travessas, que ordenasse a demissão do Sub-director do Colégio Militar, na sequência de declarações sobre alegadas descriminações sexuais de alunos. Levantou-se grande celeuma dentro e fora das Forças Armadas, com apelos à insurreição. E o ministro foi acusado de falta de prudência e habilidade.
Ora, o ministro tinha obrigação de tratar este assunto com pinças, sabendo como a instituição militar reage a condutas que interfiram com princípios, costumes e valores, códigos de conduta e regras, considerados pelos militares, ainda que não escritas, como fundamentais, nomeadamente quando os factos ocorrem nos estabelecimentos de ensino. Nas escolas militares, entre os alunos, é vedado roubar, drogar-se ou ser homossexual. Naturalmente, quando se verifica alguma destas situações os alunos são postos á margem, pelos colegas. E não vai ser este ministro ou outro qualquer que lhe venha a suceder no futuro que vai alterar estes comportamentos e estas atitudes.
Quer se goste, quer não do que se passa no Colégio militar e nas demais escolas militares, esta é a realidade. E os casso são tão raros que a situação causou uma tempestade num copo de água, aproveitada pelas esquerdas para fazerem propaganda às suas ideias muito especiais sobre descriminação.
No final foi e será o ministro a pagar as favas, pela sua inabilidade e falta de senso para lidar com a instituição militar e com este tipo de situações. Como dizia o outro, não havia necessidade.

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