Periscópio: tolerância responsável

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Este texto começou a ser escrito para ser publicado há uns meses atrás. Aproveito agora para, nesta altura, expressar aqui o que penso sobre a tolerância necessária para com as gentes que do Médio Oriente chegam à Europa.

Estamos na Páscoa, quadra que para os cristãos de todas as correntes representa tudo o que tenha a ver com amor, perdão, tolerância, solidariedade, amizade, abnegação. Estas palavras enchem as bocas mas talvez pouco os nossos corações. Hoje é tudo muito fictício, muito plástico, aparentemente cheio de sentimento, mas a realidade é bem diferente.

Mas o tema que dentro deste espírito vou abordar é bem diferente do habitual.

Por toda a Europa apela-se à tolerância, à solidariedade, ao acolhimento aos refugiados que vêm dos países do Médio Oriente. Esta tolerância e solidariedade, características de nós cristãos, não são entendidas da mesma forma pela maioria das pessoas que vêm daqueles países. Ou seja, habituámo-nos a entender a palavra solidariedade como a ajuda a quem dela precisa e a aceitação da ajuda que nos é possível prestar. Tolerância é aceitarmos os outros somo eles são, independentemente da cor, da raça, da religião de cada um. Mas também respeito pela tolerância que os outros têm para connosco, sem olharem igualmente à nossa cor, raça ou religião. Essa tolerância implica também o direito ao exercício da nossa liberdade, da nossa cultura, dos nossos valores, da nossa maneira de viver, das regras sociais, e de organização da comunidade em que estamos inseridos.

Esta forma de ver e de dar corpo a estes valores deriva directamente da nossa matriz cristã, que se desenvolveu na Europa ao longo de dois mil anos.

Mas serão estes valores entendidos da mesma forma por aqueles que acolhemos? Por aquilo que temos visto, parece que não. Pelo menos pela grande maioria dos que chegam. Que os cristãos que chegam desses países compreendam e aceitem a nossa maneira de viver, não tenho dúvida. Agora que todos os outros também assim procedam, já não estou tão certo.

Daí que pense que, o mesmo espírito pascal que nós defendemos e propalamos quanto à forma de os acolhermos, com tolerância a solidariedade, deve ter como contrapartida por parte deles, o respeito por esse mesmo espírito de pascal, que a nós nos é exigido.

A isto chamo tolerância responsável, no sentido que não podemos, por excesso de solidariedade e tolerância, tornarmo-nos irresponsáveis ao ponto de descurarmos o dever que temos de defender a nossa cultura, a nossa religião, os nossos valores, em que acreditamos, em que fomos criados e que defendemos para todos.

Se assim não procedermos, se deixarmos que sejamos tolhidos no exercício desses direitos, estaremos a deixar que outros nos imponham o seu modo de vida, mesmo nos aspectos que, desde há milhares de anos, consideramos mais aberrantes e até atentatórios dos mais elementares direitos de qualquer ser humano.

É que, não nos deixemos enganar: ninguém é dono da verdade toda. Nesse aspecto, estamos todos em pé de igualdade. E isso basta para estarmos seguros da defesa daquilo em que acreditamos. Cada um de nós e todos em conjunto.

A forma como, em geral, são tratadas as mulheres na religião muçulmana, não cabe nos padrões ocidentais. A polícia tem de ter força para fazer o seu papel e os tribunais têm de ser intransigentes na aplicação das nossas leis a todos os indivíduos, independentemente da sua religião. Não pode haver guetos. Na Europa vive-se do trabalho, não de subsídios.

E, acima de tudo, a tolerância da nossa parte não pode tolerar a intolerância que alguns não se cansam de apregoar seja onde for. Só os bananas aceitam que alguém de visita dite ordens na sua própria casa.

Tomemos consciência dos riscos que corremos se deixarmos andar as coisas como até aqui, ao ponto de haver cidades por essa Europa fora, onde existem bairros onde a polícia não entra e é aplicada a lei islâmica.

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