Periscópio: Soares – tal pai, tal filho

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Ninguém me venha dizer que gosta de ser criticado. Podemos reagir pior ou melhor às críticas que outros nos façam, mas ninguém gosta. É que, por mais dotados que sejamos do extraordinário valor da humildade, custa-nos reconhecer as nossas faltas e os nossos erros e dar a mão à palmatória, sempre que damos conta de ter errado ou outros nos chamam a atenção para essas falhas. É próprio da natureza humana lidar mal com as nossas próprias fraquezas.

Mas coisa diferente é reagirmos às críticas de forma destemperada, ainda que eventualmente essas críticas sejam infundadas, cegas ou mesmo malcriadas.

E quem está em lugares de poder tem uma obrigação especial de reagir de forma educada, embora porventura enérgica de um modo especial se as críticas forem falsas ou imerecidas.

Vem esta introdução a propósito da reacção de João Soares às críticas que lhe foram dirigidas por Augusto M. Seabra.

Soares reagiu de forma destemperada, ameaçando o autor do artigo com a aplicação de um par de bofetadas. E, pelo caminho, aproveitou por ameaçar também com o mesmo correctivo Vasco Pulido Valente, pessoa que refere como não se tendo cruzado com ele nos últimos anos, caso contrário já lhe tinha feito a folha (palavras minhas).

Conheço João Soares apenas das televisões e dos jornais, nunca me cruzei com o sujeito, embora, tal como a maioria dos portugueses, conheça razoavelmente o seu público percurso de vida: um inútil, a comer da mesa do orçamento, desde que nasceu, como acontece com muitos outros elementos de várias tribos que habitam na zona da capital deste Circo à beira mar plantado.

Nunca se lhe conheceu emprego de jeito, tirando os cargos políticos, a que ascendeu por ser filho de quem é e não por méritos próprios que nunca se lhe vislumbraram com clara transparência. E a isso tem ajudado também a ligação que vem mantendo com o mundo dos interesses de grupos com desígnios inconfessáveis.

Olhe, se acha que também mereço um par de bofetadas, apareça. Esta é a minha opinião a seu respeito. Se não gosta, pois passe bem e aprenda a comportar-se. Eu também passo bem sem pessoas como esta.

Mas também o pai Soares não gosta de ser criticado.

E, chegado a este ponto, não posso deixar de relatar um episódio que se passou comigo.

Escrevia eu na altura num outro jornal da cidade que não o Notícias de Vila Real.

Salvo erro, no décimo aniversário do falecimento do grande Miguel Torga, alguém organizou uma conferência comemorativa do acontecimento, no hotel Miracorgo, na qual se falou da vida e obra do escritor transmontano.

Uns tempos antes tinha eu criticado um dos meus artigos que está publicado no volume a que dei o título de CRÓNICAS COM CANELA, SAL E PIMENTA (pág. 115 a 119), criticando Mário Soares por causa das suas célebres viagens, algumas a paraísos exóticos, apenas para passear.

Aguardava no átrio do hotel com alguns convidados que as pessoas subissem da sala de jantar, quando apareceu Mário Soares acompanhado do dr João Roseira, seu amigo, médico e indefectível socialista, que esticando-se todo, pois era pessoa de muito pequena estatura, para chegar aos ouvidos de Soares, lhe segredou qualquer coisa ao ouvido. Não sei o que lhe terá dito, mas o gesto, praticado a escassos dois metros do grupo em que me integrava, não terá sido outro se não o de lhe comunicar quem eu era e o que tinha escrito.

É que, Mário Soares, em seguida, aproximou-se do grupo e cumprimentou os quatro outros elementos desse grupo, que conhecia tanto como me conhecia a mim. Pois quando chegou a minha vez, o Roseira afastou-se, recuando dois ou três passos. Já Mário Soares, olhando de lado, meteu ambas as mãos nos bolsos das calças, evitando assim cumprimentar-me e nem me dirigindo um olhar.

Aí está o “pai da democracia” no seu melhor. Portanto, só me resta escrever, para terminar, que João Soares teve um bom mestre no que à falta de humildade e ao orgulho mesquinho diz respeito, reagindo à crítica de forma violenta e malcriada. Por isso não tenho pejo em escrever: tal pai, tal filho.

NOTA: O homem demitiu-se. Que boga! Tem o tacho à espera na Assembleia da República.

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