Periscópio: Robin dos Bosques ou Salteadores

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Muito se tem escrito sobre os dirigentes da geringonça e as medidas que vêm preconizando para nos cobrarem mais impostos, a fim de fazerem face ao aumento das despesas do Estado. Estas já são descomunais, porque o dinheiro que entregamos ao Estado ou este nos saca é mal gerido, mal gasto. Mas, à semelhança do Governo anterior, os actuais dirigentes dos partidos que estão no Governo ou o apoiam, como o PCP ou o Bloco de esquerda, têm revelado uma sanha atroz sobre os portugueses, preparando-se para lhes retirar o mais que podem, de um modo especial à chamada classe média já de si tão sacrificada, como todos sabemos.

Então as últimas notícias que falam na criação de um novo imposto sobre o património, mesmo que não se saiba ainda muito bem de que se trata, medida anunciada por uma rapariga do Bloco de esquerda de nome Mortágua, jovem inexperiente, mas que caiu bem no goto de certas pessoas ditas pensantes, não passa de uma tentativa de, como ela disse, perder a vergonha –será que ainda a tinham! – de ir ao bolso dos que acumulam – diz ela – capital. Como se isso fosse crime ou pecado. Já lá irei a este aspecto, ó deputada Marianita.

E na mesma linha vem a proposta do PS de vasculhar as contas de qualquer cidadão, acima de 50.000 euros. Assim. Sem mais nem porquê. Simplesmente – dizem os socialistas – para combaterem a corrupção. Pois! Como se um cidadão, que se fartou de trabalhar e poupar para ter essa quantia ou mesmo algo mais, tivesse necessariamente de ter recorrido ou possa vir a recorrer a negócios escuros, corruptos, para manter ou angariar esse capital. E como se esse cidadão com tal quantia possa ser considerado rico. E talvez criminoso. Vão para o diabo que os carregue!

O que a lei diz agora é, genericamente, que o sigilo bancário só é levantado se se entender que o cidadão fugiu aos impostos ou cometeu qualquer outro tipo de crime relacionado com a posse do seu património. A partir da aprovação daquela medida, qualquer cidadão, sem o saber pode estar debaixo de olho do Estado, apenas porque possui uma conta com mais de 50.000 euros. Em si mesmo será este facto crime? Se não o é por que razão vai alguém vasculhar a conta?

Depois o pecado. Diz o bom senso e rezam as nossas convicções e valores em que a generalidade da sociedade portuguesa se revê, que normalmente cometer um crime é pecado, mais ou menos grave, mas, em todo o caso, pecado.

Então pergunto: ter uma conta com mais de 50.000 euros ou muito mais, passará também a ser pecado? Claro que a deputada Mariana não perceberá nada desta conversa. Comunista, trotskista convicta, assim nascida e educada no seio familiar, não terá a mesma noção de pecado que eu tenho. Mas a rapariga tem pelos vistos melhor do que eu a noção daquilo que passará a ser crime. E Costa, o Primeiro-ministro, vai pelo mesmo caminho.

Mas voltando ao título deste texto, nem António Costa, nem o Galamba o Nuno Santos, o Brilhante, a Catarina, as Mortáguas e Jerónimos, por mais que os respeite como pessoas, são o Robim dos Bosques que alguns pensam e eles, certamente, se julgam. Aquele que em Nottingham, chagava o Xerife, roubando-lhe aquilo que por justiça pertencia a povo e o distribuía pelos pobres. Diz a Mortágua, assessorada pela Catarina, que esperam que este imposto se destine a aumentar as pensões mais baixas. “Esperam” – dizem elas. Mas o dinheiro depois de lá estar vai ser gasto naquilo que lhes apetecer. E se realmente apenas cerca de 900, 8.000 ou talvez 43.000,como também vi escrito, os mais ricos, fossem para sempre os únicos a ser atingidos, ainda vá que não vá. Mas o problema é que, quando virem que afinal a verba que vão arrecadar não dá para o que eles têm em mente, vai baixando o escalão e acabará por atingir muitas mais famílias que trabalharam e pouparam para adquirirem o que possuem. Aí é que bate o ponto. Já estamos habituados. Por isso, está errada esta medida. Por esta e pelas muitas outras razões que por estes dias foram apontadas por muitos comentadores e economistas. Pergunta-se: porque não acabam com os paraísos fiscais onde empresas e muitos particulares escondem as fortunas para não pagarem impostos? Sobre isso, dizem nada. Não convém.

Esta gente de que falo, em vez de reformar o Estado, de poupar, de gastar bem o dinheiro dos nossos impostos, vai-nos aos bolsos de toda a maneira e feitio, e não é para dar aos pobres. Não! Eles tiram-nos, assaltam-nos para dar aos amigos. Aos amigos da política, aos seus confrades, a quem vota neles, aos da tacharia que todos conhecemos muito bem.

Ora, não era isso que fazia Robin dos Bosques. Quem assim procede tem outro nome.

(Este texto foi escrito no dia 22 de Setembro)

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